(ENEM PPL - 2019)
Tomemos o exemplo de Sócrates: é precisamente ele quem interpela as pessoas na rua, os jovens no ginásio, perguntando: “Tu te ocupas de ti?” O deus o encarregou disso, é sua missão, e ele não a abandonará, mesmo no momento em que for ameaçado de morte. Ele é certamente o homem que cuida do cuidado dos outros: esta é a posição particular do filósofo.
FOUCAULT, M. Ditos e escritos. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.
O fragmento evoca o seguinte princípio moral da filosofia socrática, presente em sua ação dialógica:
Examinar a própria vida.
Ironizar o seu oponente.
Sofismar com a verdade.
Debater visando a aporia.
Desprezar a virtude alheia.
Gabarito:
Examinar a própria vida.
a) Correta. Examinar a própria vida.
A máxima socrática é identificada pelo aforismo descrito no pórtico de entrada do templo do deus Apolo: conhece-te a ti mesmo. A filosofia socrática busca inclinar a alma para o interior de si mesma, na busca pela verdade. O enunciado revela essa faceta da filosofia platônica.
b) Incorreta. Ironizar o seu oponente.
A ironia era um recurso do método de Sócrates, mas não está em questão nessa frase, tampouco se identifica com o cuidado da alma que ele visava ter.
c) Incorreta. Sofismar com a verdade.
O sofisma, um raciocínio pautado na retórica e não na verdade, era repudiado por Sócrates.
d) Incorreta. Debater visando a aporia.
A aporia é considerada uma dificuldade racional paradoxal e irresolúvel. Alguns diálogos platônicos em que Sócrates está presente terminam em aporias, mas não era o objetivo central de sua filosofia, tampouco se identifica com o trecho em questão.
e) Incorreta. Desprezar a virtude alheia.
Tal aspecto não é encampado na filosofia socrática, pois ele apenas demonstrava a falsidade e a aporia das perspectivas de indivíduos que se consideravam sábios.