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Questão 3

ENEM 2019
Filosofia

(ENEM - 2019)

Dizem que Humboldt, naturalista do século XIX, maravilhado pela geografia, flora e fauna da região sul-americana, via seus habitantes como se fossem mendigos sentados sobre um saco de ouro, referindo-se a suas incomensuráveis riquezas naturais não exploradas. De alguma maneira, o cientista ratificou nosso papel de exportadores de natureza no que seria o mundo depois da colonização ibérica: enxergou-nos como territórios condenados a aproveitar os recursos naturais existentes. 

ACOSTA, A. Bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Elefante, 2016 (adaptado). 

A relação entre ser humano e natureza ressaltada no texto refletia a permanência da seguinte corrente filosófica: 

A

Relativismo cognitivo. 

B

Materialismo dialético. 

C

Racionalismo cartesiano. 

D

Pluralismo epistemológico. 

E

Existencialismo fenomenológico.

Gabarito:

Racionalismo cartesiano. 



Resolução:

c) Correta. Racionalismo cartesiano.
A questão supõe um conhecimento prévio sobre a a filosofia de Descartes e sobre Humboldt. O racionalismo é uma corrente filosófica que se estrutura em torno da razão humana, pois compreende que é dela que se obtém o conhecimento. A doutrina racionalista afirma que todas as coisas existentes possuem uma causa inteligível, mesmo que ela não possa ser provada empiricamente. Ou seja, apenas o pensamento por meio da razão pode chegar à verdade absoluta. Além disso, o racionalismo compreende o inatismo, que as ideias são inatas aos seres humanos, portanto, o raciocínio lógico constitui-se por meio da dedução de ideias.
Humboldt, um naturalista do século XIX, foi um cientista naturalista cuja visão científica era herdeira da Revolução Científica do século XVII. Essa revolução foi um momento de mudança do modo como a ciência e a experiência eram vistas, no que tange ao estudo da natureza. Antes, na Idade Média, a ciência estava atrelada à filosofia, sob a perspectiva aristotélica, de modo que o conhecimento objetivava a essência das coisas. Essas noções passam por uma transformação a partir do renascentismo e, posteriormente, na Idade Moderna, com autores como Descartes, para o qual o mundo externo, a natureza, diferencia-se do eu, o espírito pensante; o primeiro como objeto e o segundo como sujeito.
A questão refere-se a uma noção do inatismo, que as ideias não dependem da experiência e se encontram na nossa mente — a mensagem de Humboldt.

 

a) Incorreta. Relativismo cognitivo.
O relativismo cognitivo entende que as ideias são relativas a cada indivíduo particular, e não há conceitos absolutos. Não há tal noção no texto, tampouco no naturalismo e no racionalismo da modernidade, orientada justamente por um positivismo e a confiança na razão. O relativismo cognitivo é um traço da pós-modernidade.

b) Incorreta. Materialismo dialético.
Essa é uma noção de Karl Marx e não possui qualquer relação com o texto.

d) Incorreta. Pluralismo epistemológico.
O comando da questão pedia uma corrente filosófica que permanece de acordo com as ideias do texto; o pluralismo epistemológico é uma noção contemporânea, portanto não poderia ser esta.

e) Incorreta. Existencialismo fenomenológico.
Essas são noções contemporâneas, que influenciam a pós-modernidade. Provém de autores como Heidegger e Sartre, e não possuem qualquer relação com o texto, pois enfoca a existência humana, não o objetivismo característico no trecho.

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