(ENEM - 2019)
Para Maquiavel, quando um homem decide dizer a verdade pondo em risco a própria integridade física, tal resolução diz respeito apenas a sua pessoa. Mas se esse mesmo homem é um chefe de Estado, os critérios pessoais não são mais adequados para decidir sobre ações cujas consequências se tomam tão amplas, já que o prejuízo não será apenas individual, mas coletivo. Nesse caso, conforme as circunstâncias e os fins a serem atingidos, pode-se decidir que o melhor para o bem comum seja mentir.
ARANHA, M. L. Maquiavel: a lógica da força. São Paulo: Moderna, 2006 (adaptado).
O texto aponta uma inovação na teoria politica na época moderna expressa na distinção entre:
Idealidade e efetividade da moral.
Nulidade e preservabilidade da liberdade.
Ilegalidade e legitimidade do governante.
Verificabilidade e possibilidade da verdade.
Objetividade e subjetividade do conhecimento.
Gabarito:
Idealidade e efetividade da moral.
a) Correta. Idealidade e efetividade da moral.
As teorias políticas anteriores à Maquiavel se voltavam para as formas ideais de governo e governante, pensando o "dever-ser". O pensador florentino trouxe uma inovação na medida em que se voltava para os fatos concretos, para o que acontece na política e não para o que deveria acontecer. Em O Príncipe, Maquiavel introduz uma filosofia pragmática, cuja moralidade particular afirma que os fins justificam os meios.
Considerando a necessidade última do governante, que é a manutenção do poder e da ordem, e as consequências reais de suas decisões, Maquiavel afirma que é necessário visar o fim e não os meios que o concretizam. Nesse sentido, não há conduta estaticamente certa ou errada, segundo princípios éticos, valores morais ou pressupostos religiosos; o príncipe deve ser guiado pela situação para tomar a melhor atitude frente às condições que se apresentam. Como afirma o texto, é plausível mentir se essa ação se volta para o bem comum, para o fim último do principado.
Verifica-se, então, que o realismo da obra maquiaveliana, a inovação na teoria política da época, está expressa na distinção entre idealidade e efetividade da moral.
b) Incorreta. Nulidade e preservabilidade da liberdade.
Maquiavel não trata de nulidade ou preservação da liberdade.
c) Incorreta. Ilegalidade e legitimidade do governante.
O autor aborda a legitimidade do governante, mas não em relação à ilegalidade.
d) Incorreta. Verificabilidade e possibilidade da verdade.
e) Incorreta. Objetividade e subjetividade do conhecimento.
O texto não se refere à verdade ou subjetividade do conhecimento.