(ENEM PPL - 2015)
Perder a tramontana
A expressão ideal para falar de desorientados e outras palavras de perder a cabeça
É perder o norte, desorientar-se. Ao pé da letra, “perder a tramontana” significa deixar de ver a estrela polar, em italiano stella tramontana, situada do outro lado dos montes, que guiava os marinheiros antigos em suas viagens desbravadoras.
Deixar de ver a tramontana era sinônimo de desorientação. Sim, porque, para eles, valia mais o céu estrelado que a terra. O Sul era região desconhecida, imprevista; já ó Norte tinha como referência no firmamento um ponto luminoso conhecido como a estrela Polar, uma espécie de farol para os navegantes do Mediterrâneo, sobretudo os genoveses e os venezianos. Na linguagem deles, ela ficava trasmontes, para além dos montes, os Alpes. Perdê-la de vista era perder a tramontana, perder o Norte.
No mundo de hoje, sujeito a tantas pressões, muita gente não resiste a elas e entra em parafuso. Além de perder as estribeiras, perde a tramontana...
COTRIM, M. Língua Portuguesa, n. 15, jan. 2007.
Nesse texto, o autor remonta às origens da expressão “perder a tramontana”. Ao tratar do significado dessa expressão, utilizando a função referencial da linguagem, o autor busca;
apresentar seus indícios subjetivos.
convencer o leitor a utilizá-la.
expor dados reais de seu emprego.
explorar sua dimensão estética.
criticar sua origem conceitual.
Gabarito:
expor dados reais de seu emprego.
a) Alternativa incorreta. O autor não apresenta indícios subjetivos, justamente por usar a função referencial da linguagem. Isto é, trata-se de uma linguagem objetiva.
b) Alternativa incorreta. O autor busca mostrar fatos acerca da expressão (função referencial), não convencer o leitor a utilizá-la (função apelativa/conativa).
c) Alternativa correta. Ao usar a função referencial ou denotativa da linguagem, o emissor da mensagem revela a intenção de falar objetivamente sobre o contexto real, destacando o seu caráter informativo. Ele descreve, então os significados próximos da expressão e identifica os contextos de utilização.
d) Alternativa incorreta. O autor não explora a dimensão estética da expressão, isto é, a beleza, a "potência" da expressão etc. Para isso, a função poética da linguagem seria mais utilizada.
e) Alternativa incorreta. O autor não critica a origem da expressão, apenas a expõe.