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Questão 6

ENEM 2015
Português

(ENEM - 2015)

Carta ao Tom 74

Rua Nascimento Silva, cento e sete
Você ensinando pra Elizete
As canções de canção do amor demais
Lembra que tempo feliz
Ah, que saudade,
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E além disso se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza,
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor

MORAES, V.; TOQUINHO. Bossa Nova, sua história, sua gente. São Paulo: Universal: Philips, 1975 (fragmento).

O trecho da canção de Toquinho e Vinícius de Moraes apresenta marcas do gênero textual carta, possibilitando que o eu poético e o interlocutor

A

compartilhem uma visão realista sobre o amor em sintonia com o meio urbano.

B

troquem notícias em tom nostálgico sobre as mudanças ocorridas na cidade.

C

façam confidências, uma vez que não se encontram mais no Rio de Janeiro.

D

tratem pragmaticamente sobre os destinos do amor e da vida citadina.

E

aceitem as transformações ocorridas em pontos turísticos específicos.

Gabarito:

troquem notícias em tom nostálgico sobre as mudanças ocorridas na cidade.



Resolução:

A) INCORRETA: o uso de elementos do gênero carta não é a única coisa que faz com que o eu lírico e seu destinatário compartilhem uma visão realista da cidade do Rio, até porque isso pode ser feito de outro forma. Na verdade, esse texto possui um caráter bem mais subjetivo do que realista.

B) CORRETA: pois o texto “Carta ao Tom 74” apresenta Vinícius de Moraes como emissor da mensagem poética. Pela leitura do poema, percebe-se que há um grande destaque das lembranças do cotidiano e da convivência do eu-poético na cidade do Rio de Janeiro( saudade do amor que se perdeu no tempo) em um passado não especificado, além disso, relembra de forma triste a alteração da paisagem urbana, como é evidente no fragmento “Nossa famosa garota nem sabia /A que ponto a cidade turvaria”.

C) INCORRETA: somente o eu lírico está fazendo confidências nesse poema e, além disso, não podemos afirmar com total certeza que ele não se encontra no eu lírico. O poeta pode até estar escrevendo na cidade e relatando comparações de como era antes e com é agora, da mesma forma que pode não estar.

D) INCORRETA: pois mesmo que o autor retrate da questão do amor, não é retratado o destino da vida citadina.Há uma troca de notícias (acontecimentos) dos momentos que o eu-lírico viveu na cidade de forma triste e melancólica("saudade"). Não podemos falar que a forma de ver os destinos do amor e da vida cotidiana é feita de forma pragmática, ou seja, que a validade só será garantida se a situação acontecer do jeito que se espera. No final do poema, os autores colocam: "É preciso acabar com essa tristeza / É preciso inventar de novo o amor". Mas como? Essa incerteza é o que impede de ser pragmático.

E) INCORRETA: essa escrita em carta não é o fator que vai levar o eu lírico e o leitor a aceitar as transformações ocorridas. Pode-se pensar até que o eu lírico não aceitou completamente essas transformações, mas que aceitou seguir em frente.

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