(ENEM - 2015)
Essa pequena
Meu tempo é curto, o tempo dela sobra
Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora
Temo que não dure muito a nossa novela, mas
Eu sou tão feliz com ela
Meu dia voa e ela não acorda
Vou até a esquina, ela quer ir para a Flórida
Acho que nem sei direito o que é que ela fala, mas
Não canso de contemplá-la
Feito avarento, conto os meus minutos
Cada segundo que se esvai
Cuidando dela, que anda noutro mundo
Ela que esbanja suas horas ao vento, ai
Às vezes ela pinta a boca e sai
Fique à vontade, eu digo, take your time
Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas
O blues já valeu a pena
CHICO BUARQUE. Disponível em: www.chicobuarque.com.br. Acesso em: 31 jun. 2012.
O texto Essa pequena registra a expressão subjetiva do enunciador, trabalhada em uma linguagem informal, comum na música popular. Observa-se, como marca da variedade coloquial da linguagem presente no texto, o uso de
palavras emprestadas de língua estrangeira, de uso inusitado no português.
expressões populares, que reforçam a proximidade entre o autor e o leitor.
palavras polissêmicas, que geram ambiguidade.
formas pronominais em primeira pessoa.
repetições sonoras no final dos versos.
Gabarito:
expressões populares, que reforçam a proximidade entre o autor e o leitor.
A) INCORRETA: há de fato o uso de palavras emprestadas de outras línguas que não são comuns no português, mas essa presença não representa o uso coloquial da linguagem no texto. Para que seja uma linguagem coloquial, é necessário que seja um uso corrente da língua.
B) CORRETA: O texto “Essa pequena” registra a expressão subjetiva do enunciador, trabalhada em uma linguagem informal, comum na música popular. Observa-se, na letra de música, o uso de expressões populares, que reforçam a proximidade entre o autor e o leitor. A alternativa B, portanto, responde corretamente à questão.
C) INCORRETA: não se observa o uso de palavras polissêmicas, mas pelo contexto apresentado e pelos referentes utilizados, todas as palavras possuem um sentido bem delimitado que permite a apreensão do que está sendo dito.
D) INCORRETA: O uso de pronomes em 1ª pessoa (eu, meu, nós, nosso, me, mim...) não corresponde a uma marca da variedade coloquial da língua, estando presente em registros populares e eruditos. O que esses pronomes fazem é marcar uma pessoalidade, mas isso não indica que eles são um traço da língua falada/coloquial. Podemos ter, por exemplo, um texto de crítica, um artigo de opinião, um documento e muitas outras formas "cultas" que apresentam essa marcação prononominal.
E) INCORRETA: repetições sonoras no fim dos versos (geralmente conhecidas como "rimas") não são uma marca da linguagem coloquial, até porque, num contexto de fala comum, as pessoas não se preocupam em rimar o final de cada sentença. Na verdade, essa repetição é um recurso estilístico formal.