(ENEM - 2015)
Embora particularidades na produção mediada pela tecnologia aproximem a escrita da oralidade, isso não significa que as pessoas estejam escrevendo errado. Muitos buscam, tão somente, adaptar o uso da linguagem ao suporte utilizado: “O contexto é que define o registro de língua. Se existe um limite de espaço, naturalmente, o sujeito irá usar mais abreviaturas, como faria no papel”, afirma um professor do Departamento de Linguagem e Tecnologia do Cefet-MG. Da mesma forma, é preciso considerar a capacidade do destinatário de interpretar corretamente a mensagem emitida. No entendimento do pesquisador, a escola, às vezes, insiste em ensinar um registro utilizado apenas em contextos específicos, o que acaba por desestimular o aluno, que não vê sentido em empregar tal modelo em outras situações. Independentemente dos aparatos tecnológicos da atualidade, o emprego social da língua revela-se muito mais significativo do que seu uso escolar, conforme ressalta a diretora de Divulgação Científica da UFMG: “A dinâmica da língua oral é sempre presente. Não falamos ou escrevemos da mesma forma que nossos avós”. Some-se a isso o fato de os jovens se revelarem os principais usuários das novas tecnologias, por meio das quais conseguem se comunicar com facilidade. A professora ressalta, porém, que as pessoas precisam ter discernimento quanto às distintas situações, a fim de dominar outros códigos.
SILVA JR., M. G.; FONSECA. V. Revista Minas Faz Ciência, n. 51, set.-nov. 2012 (adaptado).
Na esteira do desenvolvimento das tecnologias de informação e de comunicação, usos particulares da escrita foram surgindo. Diante dessa nova realidade, segundo o texto, cabe à escola levar o aluno a
interagir por meio da linguagem formal no contexto digital.
buscar alternativas para estabelecer melhores contatos on-line.
adotar o uso de uma mesma norma nos diferentes suportes tecnológicos.
desenvolver habilidades para compreender os textos postados na web.
perceber as especificidades das linguagens em diferentes ambientes digitais.
Gabarito:
perceber as especificidades das linguagens em diferentes ambientes digitais.
A) INCORRETA: pois o próprio texto defende que não se deve fazer essa restrição, mas reconhece que nos meios digitais os jovens, ainda que não estejam utilizando a linguagem formal, conseguem se comunicar facilmente.
B) INCORRETA: não há dados suficientes no texto para dizer que ele propõe alguma relação da escola com uma rede de "contatos on-line" que o aluno deve buscar. A discussão está mais no plano da linguagem, no ensino de modalidades mais ou menos aplicadas aos diversos ambientes em que os jovens criam relações de comunicação e interação social.
C) INCORRETA: a ideia de que a escola deve buscar a padronização e a normatização do uso da língua em todos os meios tecnológicos é incompatível com o texto. Sabemos, contudo, que essa prática é contrária à variedade defendida pelo texto e pelos estudos linguísticos contemporâneos, que consideram que a língua de fato se altera para os diferentes contextos e essa variação deve ser compreendida como fenômeno natural de adequação. Isso ocorre inclusive no meio digital, em que um e-mail formal, ou um artigo virtual se diferenciam em grau de formalidade de uma mensagem em redes sociais, ou um post para os amigos.
D) INCORRETA: pois essa alternativa trata de "habilidades específicas" para se ler um texto postado na web, entretanto, não é esse o ponto desenvolvido no texto. Ao final da leitura, a professora citada ressalta que as pessoas precisam ter discernimento quanto às distintas situações, a fim de dominar os códigos de cada situação, ou seja, "perceber as especificidades das linguagens em diferentes ambientes digitais."
E) CORRETA: O texto aborda a problemática do registro linguístico e evoca a questão: as pessoas estão realmente escrevendo errado? A conclusão a que se chega é que há registros e exigências diferentes em cada contexto comunicativo. No caso abordado, o do ambiente digital, o suporte pede que muitas vezes o uso de abreviaturas e outros recursos linguísticos sejam utilizados. A perspectiva que se traz é que os contextos informais distanciam-se da variedade padrão da língua, e que é necessário saber transitar entre os diversos contexto. Levanta que cabe à escola discutir essas questões e as aplicações da língua nas mais diversas situações e que se manter fixado apenas à norma culta é prejudicial ao desenvolvimento da capacidade de se comunicar nos diferentes contextos.