(ENEM PPL - 2017)
O exercício da crônica
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com as suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo.
MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São Paulo: Cia. das Letras, 1991.
Nesse trecho, Vinicius de Moraes exercita a crônica para pensá-la como gênero e prática. Do ponto de vista dele, cabe ao cronista
criar fatos com a imaginação.
reproduzir as notícias dos jornais.
escrever em linguagem coloquial.
construir personagens verossímeis.
ressignificar o cotidiano pela escrita.
Gabarito:
ressignificar o cotidiano pela escrita.
Pelo comando da questão, queremos responder: o que o cronista deve fazer? Vamos ler o texto e procurar a resposta.
"Senta-se diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com as suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo."
As partes em negrito explicam bem o que um cronista deve ter segundo o autor. Deve conseguir escrever a crônica partindo de fatos do cotidiano e reescrevê-lo de uma forma criativa.
Assim, o gabarito é letra E.