(ENEM - 2017)
As atrizes
Naturalmente
Ela sorria
Mas não me dava trela
Trocava a roupa
Na minha frente
E ia bailar sem mais aquela
Escolhia qualquer um
Lançava olhares
Debaixo do meu nariz
Dançava colada
Em novos pares
Com um pé atrás
Com um pé a fim
Surgiram outras
Naturalmente
Sem nem olhar a minha cara
Tomavam banho
Na minha frente
Para sair com outro cara
Porém nunca me importei
Com tais amantes
[...]
Com tantos filmes
Na minha mente
É natural que toda atriz
Presentemente represente
Muito para mim
CHICO BUARQUE. Carioca. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2006 (fragmento).
Na canção, Chico Buarque trabalha uma determinada função da linguagem para marcar a subjetividade do eu lírico ante as atrizes que ele admira. A intensidade dessa admiração está marcada em:
“Naturalmente/ Ela sorria/ Mas não me dava trela”.
“Tomavam banho/ Na minha frente/ Para sair com outro cara”.
“Surgiram outras/ Naturalmente/ Sem nem olhar a minha cara”.
“Escolhia qualquer um/ Lançava olhares/ Debaixo do meu nariz”.
“É natural que toda atriz/ Presentemente represente/ Muito para mim”.
Gabarito:
“É natural que toda atriz/ Presentemente represente/ Muito para mim”.
A) INCORRETA: pois, apesar de ter a função emotiva e a primeira pessoa, não apesenta de fato uma admiração. A letra A representa mais uma relação de interesse e não admiração, algo que não corresponde ao enunciado da questão.
B) INCORRETA: pois o foco aqui não é no emissor, com a função do interesse, mas sim o foco está na atriz e nas atitudes que ela tomava para se relacionar com outros homens.
C) INCORRETA: pois aqui é feita uma descrição das mulheres das quais o autor está falando, e não no interesse que ele possuía por elas.
D) INCORRETA: aqui não se demonstra o interesse, mas sim o desinteressa, já que o autor deixa claro que ele escolhia "qualquer uma" em um dado momento.
E) CORRETA: Em “As atrizes”, Chico Buarque explora a função emotiva, caracterizada pela mensagem centrada no emissor através de um discurso construído com pronomes em primeira pessoa (“me”, “minha” “meu” e “mim”), além da presença do advérbio valorativo “muito”, revelador da intensidade da admiração que essas atrizes provocam no eu lírico: “é natural que toda a atriz/Presentemente represente/Muito para mim”.