(ENEM PPL - 2017)
Pra onde vai essa estrada?
— Sô Augusto, pra onde vai essa estrada?
O senhor Augusto:
— Eu moro aqui há 30 anos, ela nunca foi pra parte nenhuma, não.
— Sô Augusto, eu estou dizendo se a gente for andando aonde a gente vai?
O senhor Augusto:
— Vai sair até nas Oropas, se o mar der vau.
Vocabulário
Vau: Lugar do rio ou outra porção de água onde esta é pouco funda e, por isso, pode ser transposta a pé ou a cavalo.
MAGALHÃES, L. L. A.; MACHADO, R. H. A. (Org.). Perdizes, suas histórias, sua gente, seu folclore. Perdizes: Prefeitura Municipal, 2005.
As anedotas são narrativas, reais ou inventadas, estruturadas com a finalidade de provocar o riso. O recurso expressivo que configura esse texto como uma anedota é o(a)
uso repetitivo da negação.
grafia do termo “Oropas”.
ambiguidade do verbo “ir”.
ironia das duas perguntas.
emprego de palavras coloquiais.
Gabarito:
ambiguidade do verbo “ir”.
[C]
Comentário das alternativas
a) Incorreta. No trecho não há o recurso da negação repetida, sendo este, então, um aspecto inválido para determinar o humor presente na anedota;
b) Incorreta. O uso da grafia "Oropas" (no lugar de "Europa") marca uma variedade linguística dos falantes que dialogam no texto, no entanto, não é esse o elemento que gera surpresa, distinção e riso no texto;
c) Correta. A ambiguidade do verbo "ir" na pergunta "pra onde vai essa estrada?" provoca uma quebra de expectativa e o consequente humor na anedota. O "vai", interpretado pelo homem que pergunta como "termina", dando a ideia de destino, e por Seu Augusto como "anda/caminha", dando a ideia (insólita) de deslocamento, torna a resposta do homem cômica;
d) Incorreta. As perguntas não se configuram como irônicas, uma vez que quem pergunta busca saber justamente aquilo que é perguntado, sem intenção de ironizar ou criticar seu interlocutor;
e) Incorreta. O uso de expressões de um registro coloquial não é responsável por provocar o humor. Ele marca, assim como em [B], uma variedade própria aos falantes e seu contexto comunicativo.