(ENEM PPL - 2017)
O jornal vai morrer. É a ameaça mais constante dos especialistas. E essa nem é uma profecia nova. Há anos a frase é repetida. Experiências são feitas para atrair leitores na era da comunicação nervosa, rápida, multicolorida, performática. Mas o que é o jornal? Onde mora seu encanto?
O que é sedutor no jornal é ser ele mesmo e nenhum outro formato de comunicação de ideias, histórias, imagens e notícias. No tempo das muitas mídias, o que precisa ser entendido é que cada um tem um espaço, um jeito, uma personalidade.
Quando surge uma nova mídia, há sempre os que a apresentam como tendência irreversível, modeladora do futuro inevitável e fatal. Depois se descobre que nada é substituído e o novo se agrega ao mesmo conjunto de seres através dos quais nos comunicamos.
Os jornais vão acabar, garantem os especialistas. E, por isso, dizem que é preciso fazer jornal parecer com as outras formas da comunicação mais rápida, eletrônica, digital. Assim, eles morrerão mais rapidamente. Jornal tem seu jeito. É imagem, palavra, informação, ideia, opinião, humor, debate, de uma forma só dele.
Nesse tempo tão mutante em que se tuíta para milhares, que retuítam para outros milhares o que foi postado nos blogs, o que está nos sites dos veículos on-line, que chance tem um jornal de papel que traz uma notícia estática, uma foto parada, um infográfico fixo?
Terá mais chance se continuar sendo jornal.
LEITÃO, M. Jornal de papel. O Tempo, n. 5 684, 8 jul. 2012 (adaptado).
Muito se fala sobre o impacto causado pelas tecnologias da comunicação e da informação nas diferentes mídias. A partir da análise do texto, conclui-se que essas tecnologias
mantêm inalterados os modos de produção e veiculação do conhecimento.
provocam rupturas entre novas e velhas formas de comunicar o conhecimento.
modernizam práticas de divulgação do conhecimento hoje consideradas obsoletas.
substituem os modos de produção de conhecimentos oriundos da oralidade e da escrita.
contribuem para a coexistência de diversos modos de produção e veiculação de conhecimento.
Gabarito:
contribuem para a coexistência de diversos modos de produção e veiculação de conhecimento.
A) INCORRETA: pois o texto está debatendo sobre o modo que, ao decorrer dos tempos, as tecnologias novas vão tomando lugares das antigas (como o jornal digital no lugar do jornal impresso).
B) INCORRETA: não se vê uma ruptura, mas sim a continuidade de uma ideia. Por isso que, mesmo dizendo que "os jornais vão acabar", percebe-se que o texto constrói a narrativa de que esse estilo jornalístico ainda vai se perpetuar pelas mudanças do meio de veiculação.
C) INCORRETA: pois pode se perceber que as novas tecnologias de inovação não só modernizaram, como inovaram o gênero jornalístico.
D) INCORRETA: pois o texto ainda debate sobre a evolução das ferrmantas digitais, ainda há o debate sobre os jornais físicos.
E) CORRETA: o debate do texto não está centrado somente no espaço perdido pelos jornais físicos na contemporaneidade, mas como esses jornais coexistem com as modalidades digitais e como que eles se tornam atrativos para os receptores.