(ENEM - 2017)
O mundo revivido
Sobre esta casa e as árvores que o tempo
esqueceu de levar. Sobre o curral
de pedra e paz e de outras vacas tristes
chorando a lua e a noite sem bezerros.
Sobre a parede larga deste açude
onde outras cobras verdes se arrastavam,
e pondo o sol nos seus olhos parados
iam colhendo sua safra de sapos.
Sob as constelações do sul que a noite
armava e desarmava: as Três Marias,
o Cruzeiro distante e o Sete-Estrelo.
Sobre este mundo revivido em vão,
a lembrança de primos, de cavalos,
de silêncio perdido para sempre.
DOBAL, H. A província deserta. Rio de Janeiro: Artenova, 1974.
No processo de reconstituição do tempo vivido, o eu lírico projeta um conjunto de imagens cujo lirismo se fundamenta no
inventário das memórias evocadas afetivamente.
reflexo da saudade no desejo de voltar à infância.
sentimento de inadequação com o presente vivido.
ressentimento com as perdas materiais e humanas.
lapso no fluxo temporal dos eventos trazidos à cena.
Gabarito:
inventário das memórias evocadas afetivamente.
A) CORRETA: No processo de reconstituição do tempo vivido, o eu lírico projeta um conjunto de imagens cujo lirismo se fundamenta no inventário das memórias que ele evocada afetivamente. Os seguintes versos justificam tal afirmação: “O mundo revivido / Sobre esta casa e as árvores que o tempo / esqueceu de levar.” Sobre este mundo revivido em vão, / a lembrança de primos, de cavalos, / de silêncio perdido para sempre.
B) INCORRETA: não há nenhum traço de saudosismo nas imagens construídas pelo autor que demonstra seu interesse de retornar para sua vida passada, mas apenas uma constatação de como está o espaço que antes ele vivia com alguns traços afetivos.
C) INCORRETA: ainda que algumas imagens são de um tempo passado, não podemos dizr que elas são inadequadas no tempo presente ou que o eu lirico dá a entender isso.
D) INCORRETA: pela construção da poesia, não podemos dizer que o eu lírico está ressentido pelas mudanças que ocorreram no lugar descrito, mas sim que ele possui um olhar afetivo para o que era o local do passado dele.
E) INCORRETA: pois um lapso no fluxo temporal resultaria numa desordem das coisas do passado, do presente e do futuro em diferentes lugares dos seus originais. No entanto, aqui só é feita uma lembrança do passado para entender como as coisas estão no presente.