(ENEM - 2017)
Contranarciso
em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
o outro
que há em mim
é você
você
e você
assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós
LEMINSKI, P. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras. 2013.
A busca pela identidade constitui uma faceta da tradição literária, redimensionada pelo olhar contemporâneo. No poema, essa nova dimensão revela a
ausência de traços identitários.
angústia com a solidão em público.
valorização da descoberta do “eu” autêntico.
percepção da empatia como fator de autoconhecimento.
impossibilidade de vivenciar experiências de pertencimento.
Gabarito:
percepção da empatia como fator de autoconhecimento.
A) INCORRETA: o poema não fala da ausência de traços identitários, até porque o eu lírico explana que os seus traços identitários podem ser encontrados no outro, o que não faz com que ele deixe de ser único.
B) INCORRETA: não há nenhum elemento que demonstre que o eu lírico está só, mas, pelo contrário, ele remete constantemente ao outro, que ele está no outro, que o outro está nele. Essas descrições não são de pessoas que são sozinhas.
C) INCORRETA: mesmo que o eu lírico procure descrever como é a sua identidade, os elementos utilizados por ele não sao de uma persona autêntica, mas uma imagem própria construída a partir do outro.
D) CORRETA: O poema de Leminski traz uma abordagem subjetiva da busca da identidade. Nele, o poeta reconhece a si através da presença do outro em sua composição e a sua presença na composição do outro, como em:
eu estou em você
eu estou nele
em nós
Por isso, podemos perceber que a empatia é algo importante nessa poesia. Se colocar no lugar do outro, nos permite reconhecer a nossa presença nele e a presença dele em nós.
E) INCORRETA: não podemos falar de uma impossibilidade, mas constantemente o autor fala que ele e o outro estão em uníssono, isto é, compartilhando de características que os tornam identitário.