(ENEM - 2017)
E aqui, antes de continuar este espetáculo, é necessário que façamos uma advertência a todos e a cada um. Neste momento, achamos fundamental que cada um tome uma posição definida. Sem que cada um tome uma posição definida, não é possível continuarmos. É fundamental que cada um tome uma posição, seja para a esquerda, seja para a direita. Admitimos mesmo que alguns tomem uma posição neutra, fiquem de braços cruzados. Mas é preciso que cada um, uma vez tomada sua posição, fique nela! Porque senão, companheiros, as cadeiras do teatro rangem muito e ninguém ouve nada.
FERNANDES, M.; RANGEL, F. Liberdade, liberdade. Porto Alegre: L&PM, 2009.
A peça Liberdade, liberdade, encenada em 1964, apresenta o impasse vivido pela sociedade brasileira em face do regime vigente. Esse impasse é representado no fragmento pelo(a)
barulho excessivo produzido pelo ranger das cadeiras do teatro.
indicação da neutralidade como a melhor opção ideológica naquele momento.
constatação da censura em função do engajamento social do texto dramático.
correlação entre o alinhamento político e a posição corporal dos espectadores.
interrupção do espetáculo em virtude do comportamento inadequado do público.
Gabarito:
correlação entre o alinhamento político e a posição corporal dos espectadores.
A) INCORRETA: pela menção de "barulho" no enunciado na peça apenas como hipótese, uma possível consequência da desobediência à organização espacial (metáfora da política) sugerida inicialmente. O ranger das cadeiras, portanto, não representa o impasse, mas sim o efeito do "caos" oriundo do impasse primordial. Esse impasse, por sua vez, é a cisão entre direita e esquerda, que polarizou o país no cenário da emergente ditadura militar, reflexo da polarização mundial no contexto da Guerra Fria. Esse impasse é representado, no fragmento, pela disposição espacial da plateia.
B) INCORRETA: pois o próprio autor defende que estabelecer uma opinião é o mais importante do que não ter, e não que a neutralidade é a melhor opção, como é visto em: "É fundamental que cada um tome uma posição, seja para a esquerda, seja para a direita"
C) INCORRETA: não há um debate muito aprofundado a respeito da censura nesse texto, até porque observa-se que o autor admite que todos os pontos de vista são permitidos, desde que uma vez que nós assumimos um deles, mantenhamos.
D) CORRETA: A peça Liberdade, liberdade, encenada em 1964, apresenta o impasse vivido pela sociedade brasileira em face do regime vigente. Esse impasse é representado no fragmento pela conotação entre o alinhamento político e a posição corporal dos espectadores. Tal informação pode ser localizada no texto: “Neste momento, achamos fundamental que cada um tome uma posição definida. Sem que cada um tome uma posição definida, não é possível continuarmos. É fundamental que cada um tome uma posição, seja para a esquerda, seja para a direita.”. Esse excerto usa da posição do corpo relacionando-a ao alinhamento político do público.
E) INCORRETA: não se fala necessariamente de um comportamento inadequado do público, mas sim de uma advertência que o autor acha necessário se fazer antes de dar sequência à peça.