(ENEM PPL - 2017)
– Recusei a mão de minha filha, porque o senhor é... filho de uma escrava.
– Eu?
– O senhor é um homem de cor!... Infelizmente esta é a verdade... Raimundo tornou-se lívido. Manoel prosseguiu, no fim de um silêncio:
– Já vê o amigo que não é por mim que lhe recusei Ana Rosa, mas é por tudo! A família de minha mulher sempre foi muito escrupulosa a esse respeito, e como ela é toda a sociedade do Maranhão! Concordo que seja uma asneira; concordo que seja um prejuízo tolo! O senhor porém não imagina o que é por cá a prevenção contra os mulatos!... Nunca me perdoariam um tal casamento; além do que, para realizá-lo, teria que quebrar a promessa que fiz a minha sogra, de não dar a neta senão a um branco de lei, português ou descendente direto de portugueses!
AZEVEDO, A. O mulato. São Paulo: Escala, 2008.
Influenciada pelo ideário cientificista do Naturalismo, a obra destaca o modo como o mulato era visto pela sociedade de fins do século XIX. Nesse trecho, Manoel traduz uma concepção em que a
miscigenação racial desqualificava o indivíduo.
condição econômica anulada os conflitos raciais.
discriminação racial era condenada pela sociedade
escravidão negava o direito da negra à maternidade.
união entre mestiços era um risco à hegemonia dos brancos.
Gabarito:
miscigenação racial desqualificava o indivíduo.
a) Alternativa correta. Ao longo do texto é discutida a questão da desqualificação do indivíduo a partir de uma condicional racial vinculada pela miscigenação a qual resulta na permanência do preconceito persistente na sociedade brasileira, desde os tempos da colonização até os dias atuais, inclusive no contexto apresentado pela obra literária. Isso é verificável a partir de alguns fragmentos, como "o senhor porém não imagina o que é por cá a prevenção contra os mulatos!" e " Nunca me perdoariam um tal casamento; além do que, para realizá-lo, teria que quebrar a promessa que fiz a minha sogra, de não dar a neta senão a um branco de lei, português ou descendente direto de portugueses!".
b) Alternativa incorreta. O texto relaciona a condição racial que desqualifica o indivíduo e não entra na pauta econômica.
c) Alternativa incorreta. A discriminação racial não era condenada (combatida) pela sociedade. Ela fazia parte do cotidiano dos indivíduos.
d) Alternativa incorreta. O texto não confere a questão da proibição da maternidade para as mulheres escravas.
e) Alternativa incorreta. É ressaltada a questão do preconceito racial e não claramente o risco dos mestiços ao domínio dos brancos na sociedade maranhense.