(ENEM PPL - 2012)
O que a internet esconde de você
Para cada site que você pode visitar, existem pelo menos 400 outros que não consegue acessar. Eles existem, estão lá, mas são invisíveis. Estão presos num buraco negro digital maior do que a própria internet. A cada vez que você interage com um amigo nas redes sociais, vários outros são ignorados e têm as mensagens enterradas num enorme cemitério on-line. E, quando você faz uma pesquisa no Google, não recebe os resultados de fato — e sim uma versão maquiada, previamente modificada de acordo com critérios secretos. Sim, tudo isso é verdade — e não é nenhuma grande conspiração. Acontece todos os dias sem que você perceba. Pegue seu chapéu de Indiana Jones e vamos explorar a web perdida.
GRAVATA, A. Superinteressante, nov. 2011 (fragmento).
Os gêneros do discurso jornalístico, geralmente a manchete, a notícia e a reportagem, exigem um repórter que não diz “eu”, nem mesmo que se refira ao leitor do texto explicitamente. No trecho lido, ao contrário, é recorrente o emprego de “você”, o qual
remete a um sujeito “eu” que se prende ao próprio dizer, fortalecendo a subjetividade.
explicita uma construção metalinguística que se volta para o próprio dizer.
deixa claro o leitor esperado para o texto, aquele que visita redes sociais e sites de busca no dia a dia.
estabelece conexão entre o fatual e o opinativo, o que descaracteriza o texto como reportagem.
revela a intenção de tomar a leitura mais fácil, a partir de um texto em que se emprega vocabulário simples.
Gabarito:
deixa claro o leitor esperado para o texto, aquele que visita redes sociais e sites de busca no dia a dia.
A) INCORRETA: não é necessariamente preciso de uma pessoa "eu" para que se haja uma pessoa "tu". Pode ser apenas o narrador que conta em terceira pessoa, mas ao mesmo tempo dialoga com seu leitor.
B) INCORRETA: o emprego do pronome "você" não se relaciona com uma questão metalinguística. Só haveria essa possibilidade de o texto estivesse dissertando sobre o próprio texto ou sobre o próprio código da língua.
C) CORRETA: O emprego recorrente do pronome “você”, no texto que aborda as relações dos internautas com sites de pesquisa como o Google, permite deduzir que o leitor esperado é aquele que visita redes sociais e sites de busca no dia a dia.
D) INCORRETA: pois não é o "você" que vai estabelecer essa conexão entre o que é fato e o que é opinião. Na verdade, não se vê nenhuma opinião, mas todos os elementos destacados no texto são colocados como verdade pelo autor.
E) INCORRETA: a presença ou não do pronome "você" não vai deixar o texto mais fácil ou mais difícil: é o uso do grau de formalidade das palavras que vai ter essa impressão no texto. O uso de "você" faz com que o autor se aproxime mais do seu leitor.