(ENEM - 2012)
O senhor
Carta a uma jovem que, estando em uma roda em que dava aos presentes o tratamento de você, se dirigiu ao autor chamando-o “o senhor”:
Senhora: Aquele a quem chamastes senhor aqui está, de peito magoado e cara triste, para vos dizer que senhor ele não é, de nada, nem de ninguém.
Bem o sabeis, por certo, que a única nobreza do plebeu está em não querer esconder sua condição, e esta nobreza tenho eu. Assim, se entre tantos senhores ricos e nobres a quem chamáveis você escolhestes a mim para tratar de senhor, e bem de ver que só poderíeis ter encontrado essa senhoria nas rugas de minha testa e na prata de meus cabelos. Senhor de muitos anos, eis aí; o território onde eu mando é no país do tempo que foi. Essa palavra “senhor”, no meio de uma frase, ergueu entre nós um muro frio e triste.
Vi o muro e calei: não é de muito, eu juro, que me acontece essa tristeza; mas também não era a vez primeira.
BRAGA, R. A borboleta amarela. Rio de Janeiro: Record, 1991.
A escolha do tratamento que se queira atribuir a alguém geralmente considera as situações específicas de uso social. A violação desse princípio causou um mal-estar no autor da carta. O trecho que descreve essa violação é:
“Essa palavra, ‘senhor’, no meio de uma frase ergueu entre nós um muro frio e triste”.
“A única nobreza do plebeu está em não querer esconder a sua condição”.
“Só poderíeis ter encontrado essa senhoria nas rugas de minha testa”.
“O território onde eu mando é no país do tempo que foi”.
“Não é de muito, eu juro, que acontece essa tristeza; mas também não era a vez primeira”.
Gabarito:
“Essa palavra, ‘senhor’, no meio de uma frase ergueu entre nós um muro frio e triste”.
A) CORRETA: Nota-se que a interlocutora viola esse princípio - do ponto de vista do autor - ao tratá-lo por "senhor" com cerimônia (provavelmente por sua idade), excluindo-o do grupo dos demais que estavam presentes e eram tratados por "você" - tratamento mais informal, jovial e caloroso. Portanto, a interlocutora ergue um "muro frio e triste" entre ela e o autor
B) INCORRETA: O fragmento não represente de forma objetiva e que relaciona com o mal-estar no autor da carta pelo uso do pronome de tratamento.
C) INCORRETA: A escolha do termo "senhor", na carta, objetiva criar um afastamento entre os participantes da interlocução. Observe o trecho: "Essa palavra, "senhor", no meio de uma frase ergueu entre nós um muro frio e triste." Ao utilizar o termo "senhoria" ele quer dizer a qualidade dos que são senhores, algo que fica evidente quando ele coloca que a "senhoria" pode ser encontrada nas rugas de sua testa (indicativo de que é mais velho que os outros), mas esse trecho não é o que evidencia qual foi a violação, pois ele está apenas comentando sobre onde a pessoa que o chamou de senhor pode ter encontrado motivos para o chamar dessa forma.
D) INCORRETA: O fragmento não represente de forma objetiva e que relaciona com o mal-estar no autor da carta pelo uso do pronome de tratamento.(não há coerência na forma do pronome de tratamento usado de forma indevida e a oração da alternativa)
E) INCORRETA: O fragmento não represente de forma objetiva e que relaciona com o mal-estar no autor da carta pelo uso do pronome de tratamento.(não há coerência na forma do pronome de tratamento usado de forma indevida e a oração da alternativa)