(UNICAMP - 2010 - 2 fase - Questão 19)
No tempo da independência, não havia ideias precisas sobre o federalismo. Empregava-se “federação” como sinônimo de “república” e de “democracia”, muitas vezes com o objetivo de confundi-la com o governo popular, embora se tratasse de concepções distintas. Por outro lado, Silvestre Pinheiro Ferreira observava ser geral a aspiração das províncias à autonomia, sem que isso significasse a abolição do governo central da monarquia. Mas a historiografia da independência tendeu a escamotear a existência do projeto federalista, encarando-o apenas como produto de impulsos anárquicos e de ambições personalistas e antipatrióticas.
(Adaptado de Evaldo Cabral de Melo, A Outra Independência. O federalismo pernambucano de 1817 a 1824. São Paulo: Ed. 34, 2004, p. 12-14.)
a) Identifique no texto dois significados distintos para o federalismo.
b) Quais os interesses econômicos envolvidos no processo de independência do Brasil?
Gabarito:
Resolução:
a) De acordo com o texto, “não havia ideais precisas sobre o federalismo” e este podia ter os seguintes significados: o termo “federação” era empregado como sinônimo de república ou de democracia, erroneamente associado a um governo popular, e, ao mesmo tempo, referenciava uma autonomia provincial sem rompimento com a autoridade monárquica central.
b) Nota-se que a Inglaterra tinha interesse em estabelecer dominação capitalista sobre a economia do Brasil, algo que começou a acontecer com a Abertura dos Portos, no período joanino. Junto a isso, havia o interesse da aristocracia rural brasileira em manter seus privilégios sociais, políticos e econômicos — adquiridos em função da elevação do Brasil à condição de Reino, também no período joanino. Isso motivava uma postura de contrariedade a uma recolonização, ou seja, contrária à reversão das medidas mais “emancipadoras” que ocorreram até então.