(UNICAMP - 2010 - 1 FASE)
O imperador D. Pedro II era um mito antes de ser realidade. Responsável desde pequeno, pacato e educado, suas imagens constroem um príncipe diferente de seu pai, D. Pedro I. Não se esperava do futuro monarca que tivesse os mesmos arroubos do pai, nem a imagem de aventureiro, da qual D. Pedro I não pôde se desvincular. A expectativa de um imperador capaz de garantir segurança e estabilidade ao país era muito grande. Na imagem de um monarca maduro, buscava-se unificar um país muito grande e disperso.
(Adaptado de Lilia Moritz Schwarcz, As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 64, 70, 91)
a) Segundo o texto, quais os significados políticos da construção de uma imagem de D. Pedro II que o diferenciasse de seu pai?
b) Que características do período regencial ameaçavam a estabilidade do país?
Gabarito:
Resolução:
a) O imperador D. Pedro II, envolto numa aura de mito, foi colocado como diferente de seu pai devido à sua responsabilidade, tranquilidade e educação, além da suposta capacidade de garantir segurança e estabilidade ao país. A construção dessa imagem reflete à esperança da época de que, no Segundo Reinado, o Brasil superaria suas crises e conflitos, que perpassam o Primeiro Reinado e o Período Regencial. Havia a expectativa de que ele, diferentemente de seu pai e das regências, era verdadeiramente apto para reger o império.
b) O Período Regencial vem da crise ocorrida no Primeiro Reinado, ou seja, apresenta um agravamento das circunstâncias de instabilidade social e política, algo observável nos seguintes casos: a própria vacância do trono, pela falta de uma figura de autoridade bem estabelecida, visto que esse período foi o intervalo entre Primeiro e Segundo Reinados, em que o herdeiro legítimo não podia subir ao poder; a separação da camada dominante entre dois grupos, os inclinados à centralização (então no poder) e os inclinados ao liberalismo; bem como as diversas revoltas que ocorreram no contexto, sejam aquelas propriamente separatistas (Sabinada e Farroupilha) ou outras que representavam as reivindicações das classes mais baixas da sociedade (como a Cabanagem ou a Balaiada)