(UFU - 2017 - 2ª FASE)
Nas Meditações sobre a filosofia primeira, Descartes escreveu:
Mesmo que dormisse sempre, mesmo que também aquele que me criou me enganasse com todas as suas forças, o que há nisto que não seja tão verdadeiro como eu existir?
DESCARTES, R. Meditações sobre a filosofia primeira. Tradução de Gustavo de Fraga. Coimbra: Livraria Almedina, 1988, p. 125.
Tendo em vista as ideias de Descartes, responda:
A) A afirmação “mesmo que também aquele que me criou me enganasse com todas as suas forças” diz respeito a qual argumento empregado por Descartes para levar a sua dúvida ao extremo?
B) Considerando a possibilidade do engano, a partir das forças mencionadas no fragmento, o que tal engano e tais forças não seriam capazes de negar?
Gabarito:
Resolução:
a) Trata-se do argumento do gênio maligno. Descartes propõe a hipótese do gênio maligno, sumamente poderoso e que o engana de todas as maneiras possíveis, fazendo-o duvidar de tudo que já conhecia (radicalização do processo dubitativo).
b) No entanto, no engano, a própria existência do sujeito nunca escapará de suas mãos, pois o ser pensa. Dessa forma, a dúvida hiperbólica é superada através do cogito ergo sum, "penso, logo existo", porque, enquanto o ser pensa, nada há que o gênio maligno possa fazer para enganá-lo de que existe. Assim, Descartes sustenta que o ato de pensar é tão evidente que não é possível ser enganado sobre o fato de que eu existo enquanto penso.