(UFU - 2009)
Leia com atenção o texto abaixo: “Mas há um enganador, não sei quem, sumamente poderoso, sumamente astucioso que, por indústria, sempre me engana. Não há dúvida, portanto, de que eu, eu sou, também, se me engana: que me engane o quanto possa, nunca poderá fazer, porém, que eu nada seja, enquanto eu pensar que sou algo”.
DESCARTES. Meditações sobre Filosofia Primeira. Campinas: Editora da UNICAMP, 2004. p. 45.
Para atingir o processo extremo da dúvida, Descartes lança a hipótese de um gênio maligno, sumamente poderoso e que tudo faz para me enganar. Essa radicalização do processo dubitativo ficou conhecida como dúvida hiperbólica.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente a relação estabelecida por Descartes entre a dúvida hiperbólica (exagerada) e o cogito (eu penso).
Descartes sustenta que o ato de pensar tem tamanha evidência, que eu jamais posso ser enganado acerca do fato de que existo enquanto penso.
A dúvida hiperbólica é insuperável, uma vez que todos os conteúdos da mente podem ser imagens falsas produzidas pelo gênio maligno.
Com o exemplo dos juízos matemáticos, que são sempre indubitáveis, Descartes consegue eliminar a hipótese do gênio maligno.
Somente a partir da descoberta da ideia de Deus é que Descartes consegue eliminar a dúvida hiperbólica e afirmar a existência do pensante.
Gabarito:
Descartes sustenta que o ato de pensar tem tamanha evidência, que eu jamais posso ser enganado acerca do fato de que existo enquanto penso.
a) Correta. Descartes sustenta que o ato de pensar tem tamanha evidência, que eu jamais posso ser enganado acerca do fato de que existo enquanto penso.
Descartes propõe a hipótese do gênio maligno, sumamente poderoso e que o engana de todas as maneiras possíveis, fazendo-o duvidar de tudo que já conhecia (radicalização do processo dubitativo). No entanto, sua própria existência nunca escapará de suas mãos, pois o ser pensa. Dessa forma, a dúvida hiperbólica é superada através do cogito ergo sum, "penso, logo existo", porque, enquanto o ser pensa, nada há que o gênio maligno possa fazer para enganá-lo de que existe.
Assim, Descartes sustenta que o ato de pensar é tão evidente que não é possível ser enganado sobre o fato de que eu existo enquanto penso.
b) Incorreta. A dúvida hiperbólica é insuperável, uma vez que todos os conteúdos da mente podem ser imagens falsas produzidas pelo gênio maligno.
A dúvida hiperbólica é superada através do cogito. O pensamento (e, consequentemente, a própria existência do ser) é o único conteúdo da mente que o gênio maligno não pode produzir como imagem falsa.
c) Incorreta. Com o exemplo dos juízos matemáticos, que são sempre indubitáveis, Descartes consegue eliminar a hipótese do gênio maligno.
Os juízos matemáticos também são postos à prova pelo gênio maligno, que leva à dúvida também esse espectro. O único elemento que foge da dúvida hiperbólica é o pensamento e a existência do ser.
d) Incorreta. Somente a partir da descoberta da ideia de Deus é que Descartes consegue eliminar a dúvida hiperbólica e afirmar a existência do pensante.
Somente a partir do cogito Descartes é capaz de eliminar a dúvida hiperbólica e afirmar a existência do pensante.