(UEL - 2011)
Leia o texto a seguir.
Para esclarecer o que seja a imitação, na relação entre poesia e o Ser, no Livro X de A República, Platão parte da hipótese das ideias, as quais designam a unidade na pluralidade, operada pelo pensamento. Ele toma como exemplo o carpinteiro que, por sua arte, cria uma mesa, tendo presente a ideia de mesa, como modelo. Entretanto, o que ele produz é a mesa e não a sua ideia. O poeta pertence à mesma categoria: cria um mundo de mera aparência.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria das ideias de Platão, é correto afirmar:
Deus é o criador último da ideia, e o artífice, enquanto co-participante da criação divina, alcança a verdadeira causa das coisas a partir do reflexo da ideia ou do simulacro que produz.
A participação das coisas às ideias permite admitir as realidades sensíveis como as causas verdadeiras acessíveis à razão.
Os poetas são imitadores de simulacros e por intermédio da imitação não alcançam o conhecimento das ideias como verdadeiras causas de todas as coisas.
As coisas belas se explicam por seus elementos físicos, como a cor e a figura, e na materialidade deles encontram sua verdade: a beleza em si e por si.
A alma humana possui a mesma natureza das coisas sensíveis, razão pela qual se torna capaz de conhecê-las como tais na percepção de sua aparência.
Gabarito:
Os poetas são imitadores de simulacros e por intermédio da imitação não alcançam o conhecimento das ideias como verdadeiras causas de todas as coisas.
c) Correta. Os poetas são imitadores de simulacros e por intermédio da imitação não alcançam o conhecimento das ideias como verdadeiras causas de todas as coisas.
Simulacro" se relaciona à aparência, imitação, falsa verdade. Platão esclarece a imitação através da hipótese das ideias, operadas pelo pensamento mas impossíveis de serem concretizadas de tal forma na realidade. O carpinteiro e o poeta, apesar de criarem algo real, não conseguem transpor completamente suas ideias à realidade, criando, assim, apenas a aparência da ideia. Por se valerem da imitação em suas criações, não podem compreender as ideias como verdadeiras causas de todas as coisas.
Os poetas são imitadores de simulacros e por intermédio da imitação não alcançam o conhecimento das ideias como verdadeiras causas de todas as coisas.
a) Incorreta. Deus é o criador último da ideia, e o artífice, enquanto co-participante da criação divina, alcança a verdadeira causa das coisas a partir do reflexo da ideia ou do simulacro que produz.
A verdadeira causa das coisas não pode ser alcançada a partir do reflexo da ideia (que é o objeto real, material), pois esta é um simulacro: apenas imitação e aparência.
b) Incorreta. A participação das coisas às ideias permite admitir as realidades sensíveis como as causas verdadeiras acessíveis à razão.
Platão não admite as realidades sensíveis como as causas verdadeiras que a razão pode acessar.
d) Incorreta. As coisas belas se explicam por seus elementos físicos, como a cor e a figura, e na materialidade deles encontram sua verdade: a beleza em si e por si.
A materialidade das coisas não expressa sua verdade.
e) Incorreta. A alma humana possui a mesma natureza das coisas sensíveis, razão pela qual se torna capaz de conhecê-las como tais na percepção de sua aparência.
A alma é de natureza diferente das coisas sensíveis e a percepção da aparência não é suficiente para conhecer as coisas.