(UEL - 2011)
O principal problema de Descartes pode ser formulado do seguinte modo: “Como poderemos garantir que o nosso conhecimento é absolutamente seguro?” Como o cético, ele parte da dúvida; mas, ao contrário do cético, não permanece nela. Na Meditação Terceira, Descartes afirma: “[...] engane-me quem puder, ainda assim jamais poderá fazer que eu nada seja enquanto eu pensar que sou algo; ou que algum dia seja verdade eu não tenha jamais existido, sendo verdade agora que eu existo [...]”
(DESCARTES. René. “Meditações Metafísicas”. Meditação Terceira, São Paulo: Nova Cultural, 1991. p. 182. Coleção Os Pensadores.)
Com base no enunciado e considerando o itinerário seguido por Descartes para fundamentar o conhecimento, é correto afirmar:
Todas as coisas se equivalem, não podendo ser discerníveis pelos sentidos nem pela razão, já que ambos são falhos e limitados, portanto o conhecimento seguro detém-se nas opiniões que se apresentam certas e indubitáveis.
O conhecimento seguro que resiste à dúvida apresenta-se como algo relativo, tanto ao sujeito como às próprias coisas que são percebidas de acordo com as circunstâncias em que ocorrem os fenômenos observados.
Pela dúvida metódica, reconhece-se a contingência do conhecimento, uma vez que somente as coisas percebidas por meio da experiência sensível possuem existência real.
A dúvida manifesta a infinita confusão de opiniões que se pode observar no debate perpétuo e universal sobre o conhecimento das coisas, sendo a existência de Deus a única certeza que se pode alcançar.
A condição necessária para alcançar o conhecimento seguro consiste em submetê-lo sistematicamente a todas as possibilidades de erro, de modo que ele resista à dúvida mais obstinada.
Gabarito:
A condição necessária para alcançar o conhecimento seguro consiste em submetê-lo sistematicamente a todas as possibilidades de erro, de modo que ele resista à dúvida mais obstinada.
e) Correta. A condição necessária para alcançar o conhecimento seguro consiste em submetê-lo sistematicamente a todas as possibilidades de erro, de modo que ele resista à dúvida mais obstinada.
Descartes não era absolutamente cético, porém utiliza-se da dúvida cética para chegar a algum lugar, ao estabelecimento de uma verdade indubitável. Ele alcança, por meio desse método, a verdade da res cogitans.
a) Incorreta. Todas as coisas se equivalem, não podendo ser discerníveis pelos sentidos nem pela razão, já que ambos são falhos e limitados, portanto o conhecimento seguro detém-se nas opiniões que se apresentam certas e indubitáveis.
As coisas não se equivalem, a ponto de não serem discerníveis pela razão, pois, segundo o método científico cartesiano, o conhecimento verdadeiro apresenta ideias claras e distintas, baseadas na razão, não passíveis de dúvida e não podem se fundamentar em opiniões.
b) Incorreta. O conhecimento seguro que resiste à dúvida apresenta-se como algo relativo, tanto ao sujeito como às próprias coisas que são percebidas de acordo com as circunstâncias em que ocorrem os fenômenos observados.
O conhecimento seguro não pode ser relativo ao sujeito e nem às circunstâncias de observação, pois deve ser absolutamente indubitável, verdadeiro em si mesmo. Descartes não era relativista.
c) Incorreta. Pela dúvida metódica, reconhece-se a contingência do conhecimento, uma vez que somente as coisas percebidas por meio da experiência sensível possuem existência real.
Pela dúvida metódica cartesiana, não se reconhece que o conhecimento seja contingente, ao contrário, busca-se estabelecer um conhecimento indubitável, que não ceda à dúvida. Além disso, Descartes, como racionalista, concebe que haja ideias inatas na mente humana e outras realidades metafísicas que sejam reais para além daquilo que é captável pela experiência sensível.
d) Incorreta. A dúvida manifesta a infinita confusão de opiniões que se pode observar no debate perpétuo e universal sobre o conhecimento das coisas, sendo a existência de Deus a única certeza que se pode alcançar.
A dúvida não manifesta essa infinita confusão de opiniões quanto ao debate epistemológico, ao contrário, ela manifesta a ideia do sujeito como coisa pensante. Descartes chega à certeza da existência de Deus, mas não como única certeza.