(UEL - 2011)
Leia o texto a seguir.
Platão, em A República, tem como objetivo principal investigar a natureza da justiça, inerente à alma, que, por sua vez, manifesta-se como protótipo do Estado ideal. Os fundamentos do pensamento ético-político de Platão decorrem de uma correlação estrutural com constituição tripartite da alma humana. Assim, concebe uma organização social ideal que permite assegurar a justiça. Com base neste contexto, o foco da crítica às narrativas poéticas, nos livros II e III, recai sobre a cidade e o tema fundamental da educação dos governantes.
No Livro X, na perspectiva da defesa de seu projeto ético-político para a cidade fundamentada em um logos crítico e reflexivo que redimensiona o papel da poesia, o foco desta crítica se desloca para o indivíduo ressaltando a relação com a alma, compreendida em três partes separadas, segundo Platão: a racional, a apetitiva e a irascível.
Com base no texto e na crítica de Platão ao caráter mimético das narrativas poéticas e sua relação com a alma humana, é correto afirmar:
A parte racional da alma humana, considerada superior e responsável pela capacidade de pensar, é elevada pela natureza mimética da poesia à contemplação do Bem.
O uso da mímesis nas narrativas poéticas para controlar e dominar a parte irascível da alma é considerado excelente prática propedêutica na formação ética do cidadão.
A poesia imitativa, reconhecida como fonte de racionalidade e sabedoria, deve ser incorporada ao Estado ideal que se pretende fundar.
O elemento mimético cultivado pela poesia é justamente aquele que estimula, na alma humana, os elementos irracionais: os instintos e as paixões.
A reflexividade crítica presente nos elementos miméticos das narrativas poéticas permite ao indivíduo alcançar a visão das coisas como realmente são.
Gabarito:
O elemento mimético cultivado pela poesia é justamente aquele que estimula, na alma humana, os elementos irracionais: os instintos e as paixões.
d) Correta. O elemento mimético cultivado pela poesia é justamente aquele que estimula, na alma humana, os elementos irracionais: os instintos e as paixões.
Do ponto de vista ontológico, a arte, em todas as suas expressões (poesia, arte pictórica e plástica), constitui uma mimesis, uma imitação da realidade sensível. Em Platão, esta realidade é especialmente ressaltada pela poesia, que não leva, de forma alguma, à verdade, pois se mantém fixa na cópia da Ideia. A poesia não trata do verdadeiro saber das coisas, posto que sua essência verdadeira se dá pela imitação de caracteres já estabelecidos e não pela transmissão de conhecimento seguro. Dessa forma, a poesia estimula na alma humana os elementos irracionais, que são os instintos e as paixões.
a) Incorreta. A parte racional da alma humana, considerada superior e responsável pela capacidade de pensar, é elevada pela natureza mimética da poesia à contemplação do Bem.
A natureza mimética da poesia é algo negativo e não eleva a parte racional da alma humana, pelo contrário; dá ênfase aos elementos irracionais que a perturbam.
b) Incorreta. O uso da mímesis nas narrativas poéticas para controlar e dominar a parte irascível da alma é considerado excelente prática propedêutica na formação ética do cidadão.
A mímesis, nas narrativas poéticas, não controla ou domina a parte irascível da alma, mas, pelo contrário, estimula os instintos e as paixões. A formação ética do cidadão deve afastar-se da poesia.
c) Incorreta. A poesia imitativa, reconhecida como fonte de racionalidade e sabedoria, deve ser incorporada ao Estado ideal que se pretende fundar.
A poesia imitativa não é fonte de racionalidade e sabedoria. Segundo Platão, tal prática deve ser afastada do Estado ideal que buscava fundar.
e) Incorreta. A reflexividade crítica presente nos elementos miméticos das narrativas poéticas permite ao indivíduo alcançar a visão das coisas como realmente são.
As narrativas poéticas não são dotadas de reflexividade crítica. Assim, não podem levar o indivíduo à visão das coisas como realmente são, mas à aparência, imitação.