(FUVEST 2014 - 2 fase) Considere o seguinte texto, para atender ao que se pede:
O orgulho é a consciência (certa ou errada) do nosso próprio mérito; a vaidade, a consciência (certa ou errada) da evidência do nosso próprio mérito para os outros. Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser — pois tal é a natureza humana — vaidoso sem ser orgulhoso. É difícil à primeira vista compreender como podemos ter consciência da evidência do nosso mérito para os outros, sem a consciência do nosso próprio mérito. Se a natureza humana fosse racional, não haveria explicação alguma. Contudo, o homem vive a princípio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a noção de efeito precede, na evolução da mente, a noção de causa interior desse mesmo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é. É a vaidade em ação.
Fernando Pessoa, Da literatura europeia.
a) Considerando-a no contexto em que ocorre, explique a frase “o homem vive a princípio uma vida exterior, e mais tarde uma interior”.
b) Reescreva a frase “O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é”, substituindo por sinônimos as expressões sublinhadas.
Gabarito:
Resolução:
a) No contexto argumentativo do texto em questão, a frase de Fernando Pessoa pode ser explicada pela oposição que o pensador faz entre as ideias de orgulho e de vaidade. Para ele, na natureza e ação humana, a vaidade, ou seja, a parte externa e visível ao outro do mérito individual, antecede o orgulho, isto é, a consciência interna desse mérito. Deste modo, o homem vive em função de uma vida exterior - a vaidade - antes de atentar-se à vida interior - o orgulho, sendo a lógica racional causa/efeito subvertida na natureza de cada ser.
b) A frase pode ser reescrita dos seguintes modos: "O homem prefere ser enaltecido/ reconhecido/ notabilizado por aquilo que não é, a ser diminuido/ rebaixado/ menosprezado por aquilo que é".