(FUVEST 2014) Com base na leitura da obra A cidade e as serras, de Eça de Queirós, publicada originalmente em 1901, é correto concluir que, nela, encontra-se
o prenúncio de uma consciência ecológica que iria eclodir com força somente em finais do século XX, mas que, nessa obra, já mostrava um sentido visionário, inspirado pela invenção dos motores a vapor.
uma concepção de hierarquia civilizacional entre as regiões do mundo, na qual, a Europa representaria a modernidade e um modelo a seguir, e a América, o atraso e um modelo a ser evitado.
a construção de uma associação entre indivíduo e divindade, já que, no livro, a natureza é, fundamentalmente, símbolo de uma condição interior a ser alcançada por meio de resignação e penitência.
a manifestação de um clima de forte otimismo, decorrente do fim do ciclo bélico mundial do século XIX, que trouxe à tona um anseio de modernização de sociedades em vários continentes.
uma valorização do meio rural e de modos de vida a ele associados, nostalgia típica de um momento da história marcado pela consolidação da industrialização e da concentração da maior parte da população em áreas urbanas.
Gabarito:
uma valorização do meio rural e de modos de vida a ele associados, nostalgia típica de um momento da história marcado pela consolidação da industrialização e da concentração da maior parte da população em áreas urbanas.
Alternativa correta: E
"uma valorização do meio rural e de modos de vida a ele associados, nostalgia típica de um momento da história marcado pela consolidação da industrialização e da concentração da maior parte da população em áreas urbanas.". No romance de Eça de Queirós, a “nostalgia típica de um momento de história” associa-se à precursão de uma crítica aos excessos da tecnologia e à artificialização da vida, consequentemente, valorizando os aspectos campestres, ou seja, a vida rural.
Comentário das incorretas:
a) Na obra não há um elogio ao progresso nas ideias ecológicas, e sim a exaltação de um retorno a formas mais tradicionais e harmônicas de convivência com a natureza.
b) A modernidade europeia é alvo de duras críticas nesse romance, não havendo uma discussão tradicional de hierarquia. A civilizção é vista, inclusive, como agente de retrocessos.
c) Não há uma preocupação forte em representar a restauração humana através do divino, e sim da mudança de ambiente, retornando a referenciais mais clássicos (como o da Arcádia), e não da mitologia cristã.
d) O otimismo é quase nulo em "As cidades e as serras". O narrador, diante do caos urbano e do progresso desenfreado, percebe a angústia e as mazelas da modernidade.