(FUVEST - 2014)
Revelação do subúrbio
Quando vou para Minas, gosto de ficar de pé, contra a vidraça do carro*,
vendo o subúrbio passar.
O subúrbio todo se condensa para ser visto depressa,
com medo de não repararmos suficientemente
em suas luzes que mal têm tempo de brilhar.
A noite come o subúrbio e logo o devolve,
ele reage, luta, se esforça,
até que vem o campo onde pela manhã repontam laranjais
e à noite só existe a tristeza do Brasil.
Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo, 1940.
(*) carro: vagão ferroviário para passageiros.
Considerados no contexto, dentre os mais de dez verbos no presente, empregados no poema, exprimem ideia, respectivamente, de habitualidade e continuidade
“gosto” e “repontam”.
“condensa” e “esforça”.
“vou” e “existe”.
“têm” e “devolve”.
“reage” e “luta”.
Gabarito:
“vou” e “existe”.
Comentário:
Considerados no contexto, dentre os mais de dez verbos no presente, empregados no poema, exprimem ideia, respectivamente, de habitualidade e continuidade, os verbos
a) “gosto” e “repontam”. Incorreta. O verbo 'gostar' exprime um gosto, não hábito; o 'repontar' revela um fenômeno cotidiano (o surgimento dos laranjais à visão).
b) “condensa” e “esforça”. Incorreta. O verbo 'condensar' exprime uma impressão, uma realidade visual, enquanto o 'esforça' exprime uma atitude constante do subúrbio.
c) “vou” e “existe”. Correta. O verbo 'ir' representa o hábito deo "eu lírico" de viajar a Minas, e o 'existe' denota existência, cujo principal atributo é a constância, continuidade.
d) “têm” e “devolve”. Incorreta. O verbo 'ter' denota posse, controle (do tempo); o 'devolver' refere-se a uma "ação" pontual da noite, de devolução.
e) “reage” e “luta”. Incorreta. Ambos verbos exprimem atitudes habituais da realidade do subúrbio.