(ENEM - 2023)
Girassol da madrugada
| Teu dedo curioso me segue lento no rosto | |
| Os sulcos, as sombras machucadas por onde a | |
| [vida passou. | |
| Que silêncio, prenda minha... Que desvio triunfal | |
| [da verdade, | |
| Que círculos vagarosos na lagoa em que uma asa | |
| [gratuita roçou... | |
| Tive quatro amores eternos... | |
| O primeiro era moça donzela, | |
| O segundo... eclipse, boi que fala, cataclisma, | |
| O terceiro era a rica senhora, | |
| O quarto és tu... E eu afinal me repousei dos | |
| [meus cuidados |
ANDRADE, M. Poesias completas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013 (fragmento).
Perante o outro, o eu lírico revela, na força das memórias evocadas, a
vergonha das marcas provocadas pela passagem do tempo.
indecisão em face das possibilidades afetivas do presente.
serenidade sedimentada pela entrega pacífica ao desejo.
frustração causada pela vontade de retorno ao passado.
disponibilidade para a exploração do prazer efêmero.
Gabarito:
serenidade sedimentada pela entrega pacífica ao desejo.
a) INCORRETA, uma vez que as memórias não parecem causar vergonha no eu lírico, que relata logo no início a passagem do "dedo curioso" da mulher amada, mas não é de forma que evoca vergonha.
b) INCORRETA, pois não há indicação de indecisão, na verdade, o que o eu lírico deixa claro, ao dizer "me repousei dos meus cuidados", que se sente confortável para se deixar ser cuidado pela pessoa amada.
c) CORRETA, considerando que no último verso do poema fica claro que há uma entrega pacífica, já que ele diz que não está mais sendo cuidadoso, ou seja, há uma tomada de decisão de se deixar levar por aquele desejo que vive agora.
d) INCORRETA, visto que o eu lírico não demonstra querer voltar ao passado, que é mencionado apenas como algo que realmente passou, não de maneira extremamente saudosa.
e) INCORRETA, dado que o prazer efêmero não é aquilo que as memórias indicam, pelo contrário, a serenidade do prazer de estar com o amor atual é o que engrandece o eu lírico.