(ENEM LIBRAS - 2017) Galileu, que detinha uma verdade científica importante, abjurou-a com a maior facilidade, quando ela lhe pôs a vida em perigo. Em um certo sentido, ele fez bem. Essa verdade valia-lhe a fogueira. Se for a Terra ou o Sol que gira em torno um do outro é algo profundamente irrelevante. Resumindo as coisas, é um problema fútil. Em compensação, vejo que muitas pessoas morrem por achar que a vida não vale a pena ser vivida. Vejo outras que se fazem matar pelas ideias ou ilusões que lhes proporcionam uma razão de viver (o que se chama de razão de viver é, ao mesmo tempo, uma excelente razão de morrer). Julgo, portanto, que o sentido da vida é a questão mais decisiva de todas. E como responder a isso?
CAMUS, A. O mito de Sísifo: ensaio sobre o absurdo. Rio de Janeiro: Record, 2004 (adaptado).
O texto apresenta uma questão fundamental, na perspectiva da filosofia contemporânea, que consiste na reflexão sobre os vínculos entre a realidade concreta e a
condição da existência no mundo.
abrangência dos valores religiosos.
percepção da experiência no tempo.
transitoriedade das paixões humanas.
insuficiência do conhecimento empírico.
Gabarito:
condição da existência no mundo.
a) Correta. condição da existência no mundo.
A condição da existência no mundo envolve questões sobre o sentido da vida humana, sobre o porquê dos fatos experenciados, indagações sobre a morte, o existir, que envolvem o ser humano em seu sentido existencial. São perguntas feitas pelo existencialismo, escola a qual faz parte Camus.
b) Incorreta. abrangência dos valores religiosos.
A religião pode envolver essas questões sobre a existência humana, como alguns autores já o fizeram, mas não é tratado no texto de apoio, tampouco envolvido pelas noções de Camus.
c) Incorreta. percepção da experiência no tempo.
A experiência da temporalidade não é envolvida no trecho em questão, embora seja um tópico tratado tanto por filósofos existencialistas, quanto por outras filosofias da existência: a temporalidade da vida humana. A questão aqui envolvida é a condição finita do homem, mas não é a experiência englobada pelo autor no texto.
d) Incorreta. transitoriedade das paixões humanas.
A transitoriedade das paixões humanas não é englobada pelo Camus no texto, embora alguns filósofos que envolveram a existência em suas reflexões tenham-na refletido, como autores antigos.
e) Incorreta. insuficiência do conhecimento empírico.
Essa não é uma questão relacionada ao problema da existência humana, mas de caráter epistemológico.