(ENEM 2017)
Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá.
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento” representada no texto
assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão participativa.
garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade da vida futura na terra.
opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal.
materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar os meios.
permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas envolvidas.
Gabarito:
opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal.
c) Correta. opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal.
O prisma da lei universal de Kant, o imperativo categórico é: “Viva sua vida como se cada ato se tornasse uma lei universal”. A falsa promessa do pagamento ilustra o modo como essa prática não pode ser universalizada, pois é uma prática imoral que não pode ser aplicada a todas as pessoas. Para Kant, o princípio supremo da moral é o dever. Ou seja, a falsa promessa de pagamento se opõe ao agir por dever, e se estrutura pela utilidade, mas não a falta do pagamento em si, desde que se evidencie a impossibilidade de poder pagar pelo empréstimo.
a) Incorreta. assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão participativa.
A partir do excerto em questão, Kant não sugere a aceitação da ação descrita por meio de uma discussão, e, também, essa noção contradiz o imperativo categórico kantiano.
b) Incorreta. garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade da vida futura na terra.
Uma ética que se estrutura em torno dos efeitos das ações é consequencialista, distinta da ética deontológica de Kant. A noção consequencialista julga as ações pelas consequências destas, não pelo seu valor intrínseco; a ética deontológica possui um critério de máxima moral e universal, que não se vale de meios pragmáticos e utilitaristas.
d) Incorreta. materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar os meios.
Kant se opõe completamente ao entendimento de que os fins justificam os meios: a ação é boa ou má em si mesma, e o dever existe para todos. Ele define que a "falsa promessa de pagamento" se opõe ao princípio de universalidade da ação do homem e ao agir por dever.
e) Incorreta. permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas envolvidas.
A “falsa promessa de pagamento” pode trazer felicidade a alguém, mas um prejuízo ao outro, o que não permite a sua universalização.