(ENEM 2015)
A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e, enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está contido o pensamento: Tudo é um.
NIETZSCHE, F. Crítica moderna. In: Os pré-socráticos. São Paulo: Nova Cultural, 1999
O que, de acordo com Nietzsche, caracteriza o surgimento da filosofia entre os gregos?
O impulso para transformar, mediante justificativas, os elementos sensíveis em verdades racionais.
O desejo de explicar, usando metáforas, a origem dos seres e das coisas.
A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas existentes.
A ambição de expor, de maneira metódica, as diferenças entre as coisas.
A tentativa de justificar, a partir de elementos empíricos, o que existe no real.
Gabarito:
A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas existentes.
c) Correta. A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas existentes.
O excerto crítico de Nietzsche trata das raízes cosmológicas da filosofia antiga. Os pré-socráticos eram grupos de filósofos gregos que se dedicavam a estudar a physis e, a partir desse estudo, determinar causas materiais, substâncias responsáveis por dar origem às coisas. O caminho argumentativo para tais considerações era racional ("sem imagem e fabulação") e a proposição destacada por Nietzsche ("a água é a origem e a matriz de todas as coisas") exemplifica esse interesse cosmológico e ontológico dos pré-socráticos.
a) Incorreta. O impulso para transformar, mediante justificativas, os elementos sensíveis em verdades racionais.
Esse impulso de transformar elementos sensíveis em verdades racionais não é demarcado por Nietszche no âmbito da filosofia antiga.
b) Incorreta. O desejo de explicar, usando metáforas, a origem dos seres e das coisas.
A sentença afirma justamente o contrário quanto ao desejo de explicar a origem das coisas, "porque o faz sem imagem e fabulação".
d) Incorreta. A ambição de expor, de maneira metódica, as diferenças entre as coisas.
Nietzsche não demarca como propósito dos filósofos antigos o interesse pela diferenciação entre os entes.
e) Incorreta. A tentativa de justificar, a partir de elementos empíricos, o que existe no real.
A justificação empírica, movimento posterior no âmbito da filosofia, no que tange à teoria do conhecimento, não é demarcado por Nietzsche no início da filosofia.