(ENEM PPL - 2015)
Após ter examinado cuidadosamente todas as coisas, cumpre enfim concluir e ter por constante que esta proposição, eu sou, eu existo, é necessariamente verdadeira todas as vezes que a enuncio ou que a concebo em meu espírito.
DESCARTES, R. Meditações. Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
A proposição “eu sou, eu existo” corresponde a um dos momentos mais importantes na ruptura da filosofia do século XVII com os padrões da reflexão medieval, por
estabelecer o ceticismo como opção legítima.
utilizar silogismos linguísticos como prova ontológica.
inaugurar a posição teórica conhecida como empirismo.
estabelecer um princípio indubitável para o conhecimento.
questionar a relação entre a filosofia e o tema da existência de Deus.
Gabarito:
estabelecer um princípio indubitável para o conhecimento.
d) Correta. estabelecer um princípio indubitável para o conhecimento.
Descartes, a partir do cogito, estabelece um princípio indubitável para o conhecimento.
a) Incorreta. estabelecer o ceticismo como opção legítima.
Descartes vai muito além do ceticismo: o "eu sou, eu existo", por mais que tenha partido de um processo de dúvida hiperbólica, é uma crítica ao ceticismo, pois foi provado racionalmente e é uma certeza.
b) Incorreta. utilizar silogismos linguísticos como prova ontológica.
O racionalismo não faz uso de silogismos, pois estes se caracterizam por raciocínios dedutivos, e Descartes estabelece o princípio da dúvida hiperbólica.
c) Incorreta. inaugurar a posição teórica conhecida como empirismo.
Descartes não é empirista, muito pelo contrário; é fortemente racionalista. O empirismo afirma que todo conhecimento provém unicamente da experiência, o que não condiz com as ideias cartesianas.
e) Incorreta. questionar a relação entre a filosofia e o tema da existência de Deus.
Essa temática era trabalhada muito por filósofos medievais, tal qual São Tomás de Aquino, não por Descartes.