(ENEM - 2013)
Manta que costura causos e histórias no seio de uma família serve de metáfora da memória em obra escrita por autora portuguesa
O que poderia valer mais do que a manta para aquela família? Quadros de pintores famosos? Joias de rainha? Palácios? Uma manta feita de centenas de retalhos de roupas velhas aquecia os pés das crianças e a memória da avó, que a cada quadrado apontado por seus netos resgatava de suas lembranças uma história. Histórias fantasiosas como a do vestido com um bolso que abrigava um gnomo comedor de biscoitos; histórias de traquinagem como a do calção transformado em farrapos no dia em que o menino, que gostava de andar de bicicleta de olhos fechados, quebrou o braço; histórias de saudades, como o avental que carregou uma carta por mais de um mês... Muitas histórias formavam aquela manta. Os protagonistas eram pessoas da família, um tio, uma tia, o avô, a bisavó, ela mesma, os antigos donos das roupas. Um dia, a avó morreu, e as tias passaram a disputar a manta, todas a queriam, mais do que aos quadros, joias e palácios deixados por ela. Felizmente, as tias conseguiram chegar a um acordo, e a manta passou a ficar cada mês na casa de uma delas. E os retalhos, à medida que iam se acabando, eram substituídos por outros retalhos, e novas e antigas histórias foram sendo incorporadas à manta mais valiosa do mundo.
LASEVICIUS, A. Língua Portuguesa, São Paulo, n. 76, 2012 (adaptado).
A autora descreve a importância da manta para aquela família, ao verbalizar que “novas e antigas histórias foram sendo incorporadas à manta mais valiosa do mundo”. Essa valorização evidencia-se pela
oposição entre os objetos de valor, como joias, palácios e quadros, e a velha manta.
descrição detalhada dos aspectos físicos da manta, como cor e tamanho dos retalhos.
valorização da manta como objeto de herança familiar disputado por todos.
comparação entre a manta que protege do frio e a manta que aquecia os pés das crianças.
correlação entre os retalhos da manta e as muitas histórias de tradição oral que os formavam.
Gabarito:
correlação entre os retalhos da manta e as muitas histórias de tradição oral que os formavam.
A) INCORRETA: Na verdade, não há oposição de valor entre os palácios/joias e a manta no texto, mas a autora estabelece uma relação de valor similar. Mostrando que artigos conhecidos normalmente por serem valiosos têm o mesmo peso da manta.
B) INCORETA: Não é detalhado no texto esse tipo de característica, ou seja, não há um enfoque na cor e no tamanho dos retalhos.
C) INCORRETA: O valor não está no fato de a manta ser disputada ou por ser uma herança, tanto que os outros objetos foram divididos sem nenhum problema. O valor está nas histórias que ela carrega, é sentimental.
D) INCORRETA: não há comparação entre a manta aquecer os pés ou proteger do frio no texto.
E) CORRETA: O valor está nas histórias que ela carregava e cada retalho contava sobre um momento. Quando esses retalhos eram desgastados iam sendo substituído por novos que carregam outras histórias.