(ENEM - 2013)
Nessa charge, o recurso morfossintático que colabora para o efeito de humor está indicado pelo(a)
emprego de uma oração adversativa, que orienta a quebra da expectativa ao final.
uso de conjunção aditiva, que cria uma relação de causa e efeito entre as ações.
retomada do substantivo “mãe”, que desfaz a ambiguidade dos sentidos a ele atribuídos
utilização da forma pronominal “la”, que reflete um tratamento formal do filho em relação à “mãe”.
repetição da forma verbal “é”, que reforça a relação de adição existente entre as orações.
Gabarito:
emprego de uma oração adversativa, que orienta a quebra da expectativa ao final.
A) CORRETA: Uma das formas "clássicas" de construir humor é pela quebra de expectativa, ou seja, pela contradição de algo que se esperava, ou que se anunciava. Na fala de Felipe, personagem da tira, existe essa quebra, marcada pela conjunção "mas", que introduz uma oração adversativa. Explicando melhor a quebra: a princípio, o personagem criticava a "preguiça", afirmando ser ela a "mãe de todos os vícios". No entanto, aproveitando-se do sentido da palavra "mãe", acaba cedendo àquilo que estava criticando — a necessidade (falsa) de "obedecer à preguiça" é o que gera o humor na tira, quebrando a expectativa do que estava sendo enunciado por meio da acomodação do personagem.
B) INCORRETA: pois na oração "A preguiça é a mãe de todos os vícios, mas uma mãe é uma mãe e é preciso respeitá-la, pronto!", a conjunção "mas" não é classificada, de acordo com a gramática tradicional, como uma conjunção atribuída ao valor de adição, porém com a ideia de oposição. a conjunção coordenativa adversativa “mas” expressa oposição ao que é enunciado na oração principal, em que Filipe discorre sobre o fato de a preguiça ser a mãe (origem) de todos os defeitos, justificando a permanência de sua preguiça.
C) INCORRETA: O substantivo não é retomado para esclarecer ambiguidades, demarcando o sentido de um e de outro, mas sim reiterando que a ideia de "mãe de todos os vícios" e "mãe matriarca" podem ser associadas, unidas em nome dos interesses do menino. A ambiguidade é, então, lida como recurso polissêmico e é justamente sua retomada com outro sentido aparente que faz com que o humor se construa.
D) INCORRETA: A utilização da forma pronominal “la” no texto, refere-se a preguiça, o que faz com que percebamos que o garoto faz uma analogia com "mãe", dizendo que precisa ser respeitada sempre, e a preguiça é a mãe de todos os vícios,
E) INCORRETA: o uso da forma verbal "é" não indica uma adição, mas sim uma constatação de que algo é verdadeiro ou não (cas haja a presença de "não"). O recurso que indica a adição é por meio da conjunção aditiva "e" (sem acento), mas que ocorre somente uma vez.