(ENEM - 2013)
Novas tecnologias
Atualmente, prevalece na mídia um discurso de exaltação das novas tecnologias, principalmente aquelas ligadas às atividades de telecomunicações. Expressões frequentes como “o futuro já chegou”, “maravilhas tecnológicas” e “conexão total com o mundo” “fetichizam” novos produtos, transformando-os em objetos do desejo, de consumo obrigatório. Por esse motivo carregamos hoje nos bolsos, bolsas e mochilas o “futuro” tão festejado.
Todavia, não podemos reduzir-nos a meras vítimas de um aparelho midiático perverso, ou de um aparelho capitalista controlador. Há perversão, certamente, e controle, sem sombra de dúvida. Entretanto, desenvolvemos uma relação simbiótica de dependência mútua com os veículos de comunicação, que se estreita a cada imagem compartilhada e a cada dossiê pessoal transformado em objeto público de entretenimento.
Não mais como aqueles acorrentados na caverna de Platão, somos livres para nos aprisionar, por espontânea vontade, a esta relação sadomasoquista com as estruturas midiáticas, na qual tanto controlamos quanto somos controlados.
SAMPAIO, A. S. “A microfísica do espetáculo”. Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 1 mar. 2013 (adaptado).
Ao escrever um artigo de opinião, o produtor precisa criar uma base de orientação linguística que permita alcançar os leitores e convencê-los com relação ao ponto de vista defendido. Diante disso, nesse texto, a escolha das formas verbais em destaque objetiva
criar relação de subordinação entre leitor e autor, já que ambos usam as novas tecnologias.
enfatizar a probabilidade de que toda população brasileira esteja aprisionada às novas tecnologias.
indicar, de forma clara, o ponto de vista de que hoje as pessoas são controladas pelas novas tecnologias.
tornar o leitor copartícipe do ponto de vista de que ele manipula as novas tecnologias e por elas é manipulado.
demonstrar ao leitor sua parcela de responsabilidade por deixar que as novas tecnologias controlem as pessoas.
Gabarito:
tornar o leitor copartícipe do ponto de vista de que ele manipula as novas tecnologias e por elas é manipulado.
A) INCORRETA: porque quando se afirma "relação de subordinação" é equivalente dizer que há uma relação de dominação ou de poder entre leitor e autor.( concepção de hierarquia, sendo o autor a base dessa estrutura de subordinação e o leitor a parte ascendente dessa relação).Contudo, o intuito do autor em usar uma base de orientação linguística que permita alcançar os leitores e convencê-los com relação ao ponto de vista defendido tem como objetivo convencer um ponto de vista, ou seja, o emprego da forma verbal em primeira pessoa do plural inclui, não só o autor, como também o leitor fictício do texto( não há relação de subordinação entre o leitor e o autor).
B) INCORRETA: O autor não toma como princípio como uma probabilidade, mas a escolha das formas verbais (carregamos, desenvolvemos, somos e controlamos) tem como objetivo convencer um ponto de vista, ou seja, o emprego da forma verbal em primeira pessoa do plural inclui, não só o autor, como também o leitor fictício do texto, induzindo-o a compartilhar as ideias defendidas de forma enfática.
C) INCORRETA: A afirmativa está incorreta, pois a estratégia adotada pelo autor é uma forma de enfatizar o seu próprio ponto de vista defendido por ele.
D) CORRETA: A escolha das formas verbais (carregamos, desenvolvemos, somos e controlamos) tem como objetivo convencer um ponto de vista, ou seja, o emprego da forma verbal em primeira pessoa do plural inclui, não só o autor, como também o leitor fictício do texto, induzindo-o a compartilhar as ideias defendidas de forma enfática. O uso dos termos verbais em 1ª pessoa do plural (“carregamos”, ”podemos reduzir-nos”, “desenvolvemos”, “somos”, “controlamos”) inclui o leitor nas apreciações que o autor emite ao longo do texto.
E) INCORRETA: porque afirma que o uso dos verbos na primeira pessoa do plural demonstra ao leitor sua parcela de responsabilidade por deixar que as novas tecnologias controlem as pessoas. A responsabilidade (ou "a culpa") não é apenas do leitor, mas de todos, inclusive do autor, ou seja, invalida o fragmento "demonstrar ao leitor sua parcela de responsabilidade"(não é restrito a parcela de culpa para o leitor).