(ENEM - 2013)
Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento.
KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado).
O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que
assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.
defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.
revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica.
apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos.
refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant.
Gabarito:
assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.
a) Correta. assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.
As duas visões contrapõem-se pela relação entre sujeito e objeto. A antiguidade era orientada por um realismo filosófico, no qual o conhecimento constitui-se na adequação do sujeito ao objeto; inspirado pela revolução copernicana, Kant inverte essa relação, e busca compreender o conhecimento a partir da adequação do objeto ao sujeito.
b) Incorreta. defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.
A partir do ceticismo de Hume, Kant acorda de seu sono dogmático, porém não permanece nessa posição, realizando uma síntese entre o empirismo e o racionalismo e apostando em um conhecimento sintético a posteriori. Ademais, não é o que traz o trecho.
c) Incorreta. revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica.
Essa é uma ideia coerente quanto às noções de Kant, porém não é o que trecho busca expressar. Por isso, essa é uma pergunta bem capciosa, na qual deve-se se atentar ao que é dito no texto.
d) Incorreta. apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos.
Essa não é uma noção de Kant, mas do idealismo, muito confundido com as ideias do filósofo.
e) Incorreta. refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant.
Kant, na verdade, demonstra uma refutação à primeira proposição filosófica da antiguidade, e defende uma outra, inspirado pela revolução copernicana.