(UNIOESTE - 2010)
“Se os que nos querem persuadir que há princípios inatos não os tivessem compreendido em conjunto, mas considerado separadamente os elementos a partir dos quais estas proposições são formuladas, não estariam, talvez, tão dispostos a acreditar que elas eram inatas. Visto que, se as ideias das quais são formadas essas verdades não fossem inatas, seria impossível que as proposições formadas delas pudessem ser inatas, ou nosso conhecimento delas ter nascido conosco. Se, pois, as ideias não são inatas, houve um tempo quando a mente estava sem esses princípios e, desse modo, não seriam inatos, mas derivados de alguma outra origem. Pois, se as próprias ideias não o são, não pode haver conhecimento, assentimento, nem proposições mentais ou verbais a respeito delas. […] De onde apreende a mente todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra, da experiência. Todo o nosso conhecimento está nela fundado, e dela deriva fundamentalmente o próprio conhecimento. Empregada tanto nos objetos sensíveis externos como nas operações internas de nossas mentes, que são por nós mesmos percebidas e refletidas, nossa observação supre nossos entendimentos com todos os materiais do pensamento.”
(Locke)
Tendo presente o texto acima, é correto afirmar, segundo Locke, que
há duas fontes de nossas ideias, a sensação e a reflexão, de modo que tudo o que é objeto de nossa mente, por ser ela como que um papel em branco, é adquirido por meio de uma ou de outra dessas duas fontes.
contrariamente ao que afirma o texto, o autor admite excepcionalmente como inatos alguns princípios fundamentais e algumas ideias simples.
chama-se experiência a forma de conhecimento que, produzido por meio das diferentes sensações, nos permite saber o que as coisas são em sua essência e na medida em que são independentes de nós.
a ideia de substância é uma ideia simples formada diretamente a partir de nossa experiência das coisas e da capacidade que elas têm de subsistirem.
todas as nossas percepções ou ideias provém das sensações externas e de nosso contato com o que existe fora de nós.
Gabarito:
há duas fontes de nossas ideias, a sensação e a reflexão, de modo que tudo o que é objeto de nossa mente, por ser ela como que um papel em branco, é adquirido por meio de uma ou de outra dessas duas fontes.
a) Correta. há duas fontes de nossas ideias, a sensação e a reflexão, de modo que tudo o que é objeto de nossa mente, por ser ela como que um papel em branco, é adquirido por meio de uma ou de outra dessas duas fontes.
Nosso conhecimento é fundamentado na experiência, pois a nossa mente é como uma tábula rasa sem conteúdo algum que vai recebendo, pelos sentidos, impressões a partir dos quais o ser humano formula o conhecimento por meio da sensação e da reflexão. Portanto, aquele conhecimento que tem como fonte a reflexão, na verdade, trata-se de uma atividade interna realizada a partir dos conteúdos já recebidos por meio da experiência.
b) Incorreta. contrariamente ao que afirma o texto, o autor admite excepcionalmente como inatos alguns princípios fundamentais e algumas ideias simples.
Não deriva-se essa conclusão do texto, pois nele se discute ambas as possibilidades — se há ou não princípios fundamentais e ideias simples enquanto ideias inatas — até admitir que o conhecimento provenha inteiramente da experiência.
c) Incorreta. chama-se experiência a forma de conhecimento que, produzido por meio das diferentes sensações, nos permite saber o que as coisas são em sua essência e na medida em que são independentes de nós.
A experiência não permite compreender o que os objetos são em sua essência e que são independente de nós, o que envolve um ato de reflexão. A essência é icognoscível.
d) Incorreta. a ideia de substância é uma ideia simples formada diretamente a partir de nossa experiência das coisas e da capacidade que elas têm de subsistirem.
Não é possível formular uma ideia de substância, tampouco de uma ideia de substância que subsista em si mesma, sem a experiência.
e) Incorreta. todas as nossas percepções ou ideias provém das sensações externas e de nosso contato com o que existe fora de nós.
Nossas percepções provém das sensações externas e da reflexão, que é a experiência interna.