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Questão 6

UNICAMP 2022
Português

(UNICAMP - 2022 - 2ª fase)

Numa questão da 1ª Fase do vestibular Unicamp 2022, você leu que, na tradição dos povos indígenas, todo conhecimento de plantas, de cura, de mitos e narrativas é produzido de maneira oral, transmitido por seus anciãos e anciãs; deste modo, tal conhecimento precisa ser registrado e mantido pelos jovens. Leia, agora, o texto a seguir:

Em junho de 2020, o pesquisador Fernando Cespedes transformou sua tese de doutorado (USP-2019) em podcast para levá-la a um público mais amplo. “É muito importante criar um ambiente sonoro de alta-fidelidade e que faça o ouvinte mergulhar nos sons, porque a ideia é recriar uma experiência de contação de histórias”, explica. Assim como o texto escrito, os sons são elementos narrativos, e tanto o ritmo quanto o desenho de som são essenciais para revelar o ser-sonoro e captar a atenção do ouvinte.

“A escuta nos obriga a reconhecer tudo o que está ao redor, já que ela não reconhece barreiras”, reflete o pesquisador. E aponta a dominação histórica da visão, no mundo europeu, como responsável por isolar e transformar em objeto tudo que está fora. “Não há pálpebras nos ouvidos. Então, o principal ganho de cultivarmos uma relação mais sonora com o mundo é nos aproximarmos e nos incluirmos nele, abandonarmos a ideia de um mundo externo, fora de nós. Foi essa noção de um mundo externo – que pode ser domado ou conquistado – que guiou o colonialismo e a pior face do capitalismo. Não é à toa que sociedades nas quais a escuta é elemento central são mais sustentáveis e integradas aos seus ambientes.”

(Adaptado de Luiz Prado, Podcasts revelam como a música cria o mundo e a humanidade. Jornal da USP, 31/08/2020.)

 

a) Considerando o primeiro parágrafo do texto, cite uma proposta que poderia contribuir para a conservação da memória das narrativas dos povos indígenas e justifique sua resposta.

b) Indique dois ganhos e duas perdas em nossas relações com os mundos sonoros e visuais, mencionados no segundo parágrafo.

Gabarito:

Resolução:

a) Uma proposta que poderia contribuir para a conservação da memória das narrativas dos povos indígenas é a gravação dessas narrativas e sua consequente postagem em um blog na internet. Sabe-se disso porque o primeiro parágrafo faz uma referência a um pesquisador que disponibilizou sua tese de doutorado por meio de um podcast para que fosse possível “recriar uma experiência de contação de histórias”. Essa experiência é justamente o que os anciãos indígenas vivenciam ao narrar o conhecimento de cura, plantas, mitos e outras narrativas, o que faz com que, no momento que eles começarem a narrá-las e tiver alguém gravando, haverá a preservação exatamente como o original de todo esse conhecimento . Agora, quanto à questão de divulgar em um blog na internet, é possível perceber que, tendo em vista o desenvolvimento tecnológico da sociedade de hoje, essa seria a melhor maneira de preservar, guardar e acessar essas narrativas. Isso porque, uma vez na internet e em um site seguro, dificilmente as narrativas seriam perdidas ou esquecidas. Além disso, é mais fácil para as comunidades restringirem o blog de acordo com os seus desejos, podendo ficar aberto ao público em geral ou apenas para a comunidade indígena. Ademais, cada vez mais os jovens indígenas estão interagindo com as tecnologias digitais, então é muito mais fácil para qualquer um deles acessar o material (não precisando ser de um celular ou computador específico) e compartilhar com os outros integrantes da aldeia.

 

b) Um dos ganhos que é possível destacar é que, quando possuímos uma relação sonora com o mundo, nós interiorizamos mais aquilo que está sendo dito. Isso porque na fala há os recursos da prosódia (acentuação, expressão, rapidez/lentidão) que vão agregar sentido discursivo àquilo que está sendo dito. Tendo o ouvinte interiorizado o que ele está ouvindo, ele será capaz de se sentir parte do que chegou para si, podendo produzir uma fala rica em significados e com uma interação mais profunda com seu interlocutor. Por outro lado, quando se pensa nas perdas das relações sonoras-visuais com o mundo, vemos que o contato meramente visual é superficial nas relações humanas. Sabe-se disso porque o próprio texto nos afirma que a dominação histórica da visão faz com que o homem vislumbre o que ele está vendo como algo que não lhe faz parte, que é desconhecido. E como consequência desse “apenas ver”, temos que os seres humanos não aprofundam sua relação com aquilo que ele está vendo, o que leva a muitas pessoas, no momento da fala, a dizer o que é “senso comum” ou até mesmo algo que foge totalmente da realidade daquilo que está sendo visto.

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