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Questão 1

UNICAMP 2022
Português

(UNICAMP - 2022 - 2ª fase)

“Lygia é uma escritora que trabalha com mistérios e pequenas revelações. Porém não se entenda errado: sua escrita não é religiosa, nem mística. Se há religiosidade, é no modo como ela escava a banalidade em busca de seu miolo. Se há misticismo, ele se esconde em sua inclinação para valorizar as zonas subterrâneas da existência.”

(José Castello, “Lygia na penumbra” in Seminário dos Ratos. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 170.)

“Etimologicamente, o grego alegoria significa ‘dizer o outro’, dizer alguma coisa diferente do sentido literal. Regra geral, a alegoria reporta-se a uma história ou a uma situação que joga com sentidos duplos e figurados, sem limites textuais (pode ocorrer num simples poema como num romance inteiro), pelo que também tem afinidades com a parábola e a fábula.”

(Adaptado de Carlos Ceia, E-dicionário de termos literários. Disponível em https://edftl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/alegoria. Acessado em 18/08/2021.)

 

a) No conto “Seminário dos ratos”, há um fato banal que se torna extraordinário no percurso narrativo. Descreva esse fato e apresente dois elementos do enredo que colaboram para a construção do conflito narrado.

b) Há, no conto de Lygia Fagundes Telles, a elaboração de uma alegoria. Identifique qual é o elemento central dessa alegoria e explique seu sentido, considerando o período em que o conto foi publicado.

Gabarito:

Resolução:

a) O fato banal que se revela como importante no conto é o barulho ouvido por um político e que ressoa pelo casarão em que se encontram os outros participantes do seminário. Após este barulho tem início a invasão do local por manifestantes insurgentes que acabam destruindo tudo e matando várias pessoas que estavam ali reunidas para discutir sobre a situação dos “ratos”. O temor era realmente pertinente por parte dos que estavam reunidos para deliberar, dado que eles foram eliminados ao final do conto, mas também pelo fato de que eles estavam organizados em uma espécie de seminários por si sós, como se eles mesmos fossem so “ratos”.

b) O elemento central da alegoria criada por Lygia Fagundes é o momento da ditadura militar vigente no país, onde os ratos são os burocratas que atravancavam as estruturas de poder brasileiras. Este conto publicado durante o período militar revela a incapacidade dos militares de governarem efetivamente o país, algo demonstrado pelo fato de serem retratados como roedores e também da forma que lidavam com a população, os outros “ratos”. Estes últimos acabaram derrubando o poder dos ratos. A dubiedade, ou seja, a alegoria do conto está justamente na figura dos ratos, que podem ser interpretados como os políticos ou como as pessoas, a população brasileira.

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