(UNICAMP - 2018 - 1ª fase)
“Sapo não pula por boniteza, mas porém por percisão.”
(“Provérbio capiau” citado em epígrafe no conto “A hora e a vez de Augusto Matraga”, em João Guimarães Rosa, Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015, p. 287.)
Elementos textuais que antecedem a narrativa como, por exemplo, o provérbio citado, funcionam, em alguns autores, como pista para se entender o sentido das ações ficcionais. No excerto acima, as ideias de beleza e necessidade são contrapostas com vistas à produção de um sentido de ordem moral.
Considerando-se a jornada heroica de Augusto Matraga, é correto afirmar que a narrativa
contradiz o sentido moral do provérbio, uma vez que o protagonista não é fiel ao seu propósito de mudar os hábitos antigos.
confirma o sentido moral do provérbio, uma vez que o protagonista realiza uma série de ações para corrigir seu caráter e reordenar eticamente sua vida.
ratifica o sentido moral do provérbio, uma vez que o protagonista é seduzido pelos encantos da natureza e pelos prazeres da bebida e do fumo.
refuta o sentido moral do provérbio, uma vez que o protagonista não consegue agir sem as motivações da beleza física e do afeto femininos.
Gabarito:
confirma o sentido moral do provérbio, uma vez que o protagonista realiza uma série de ações para corrigir seu caráter e reordenar eticamente sua vida.
[B]
Depois de espancado, marcado a ferro e abandonado quase morto, Augusto Matraga tem sua vida salva por um casal de negros. Durante seu processo de recuperação, dá-se conta das maldades praticadas e resolve regenerar-se, tornar-se um novo homem. Passa então a perseguir incansavelmente um objetivo: ir para o Céu, "nem que seja a porrete". Para isso, busca uma oportunidade de redenção, “sua hora e sua vez” – o que justifica as ações heroicas praticadas pelo personagem. Assim, pode-se dizer que o provérbio “Sapo não pula por boniteza, mas porém por percisão.” antecipa o sentido das ações de Augusto Matraga, cujos atos de heroísmo são por necessidade (de ir para o Céu), não por “boniteza”.