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Questão 11

UNICAMP 2011
Português

(UNICAMP - 2011) Os trechos abaixo, do Auto da barca do inferno e das Memórias de um sargento de milícias, tratam, de maneira cômica, dos “pecados” de duas personagens que, cada uma a seu modo, representam uma autoridade. Leia-os com atenção e responda às questões propostas em seguida.

Frade
Ah, Corpo de Deus consagrado!
Pela fé de Jesus Cristo,
qu’eu não posso entender isto!
Eu hei-de ser condenado?
Um padre tão namorado
e tanto dado à virtude!
Assi Deus me dê saúde
que eu estou maravilhado!
Diabo
Não façamos mais detença. 
Embarcai e partiremos:
tomareis um par de remos.
Frade
Não ficou isso n’avença!
Diabo
Pois dada está já a sentença!
Frade
Par Deus! Essa seri’ela!
Não vai em tal caravela
minha senhora Florença.
Como? Por ser namorado
e folgar com ua mulher
se há um frade de se perder,
com tanto salmo rezado?
Diabo
Ora estás bem aviado!
Frade
Mas estás bem corregido!
Diabo
Devoto padre marido,
haveis de ser cá pingado... 

(Gil Vicente, Auto da barca do inferno. São Paulo: Ática, 2006, p. 35-36.)

Os leitores estão já curiosos por saber quem é ela, e têm razão; vamos já satisfazê-los. O major era pecador antigo, e no seu tempo fora daqueles de quem se diz que não deram o seu quinhão ao vigário: restava-lhe ainda hoje alguma coisa que às vezes lhe recordava o passado: essa alguma coisa era a Maria-Regalada que morava na Prainha. Maria-Regalada fora no seu tempo uma mocetona de truz, como vulgarmente se diz: era de um gênio sobremaneira folgazão, vivia em contínua alegria, ria-se de tudo, e de cada vez que se ria faziao por muito tempo e com muito gosto: daí é que vinha o apelido – regalada – que haviam juntado ao seu nome.

(Manuel Antonio de Almeida, Memória de um sargento de milícias. São Paulo: Ática, 2004, Capítulo XLV - “Empenhos”, p. 142.)

a) O que há de comum na caracterização da conduta do Frade, na peça, e do major Vidigal, no romance?

b) Que diferença entre as obras faz com que essas personagens tenham destinos distintos?

Gabarito:

Resolução:

a) Ambos o frade e o major são caracterizados como pessoas cujas condutas não condizem com suas respectivas posições de pessoas que guardam a dita uma boa moral e os "bons costumes". A conduta das personagens, nas duas obras, é apresentada de maneira irônica, traçando uma espécie de caricatura delas.

b) Mesmo com a ironia, em "O Auto da barca do inferno" há um apego à moralidade, o que faz com que o frade seja condenado ao inferno, o que não acontece em "Memórias de um sargento de milícias", já que o major Vidigal é perdoado, não há uma grande punição, considerando que a obra não possui caráter moralizador.

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