(UNICAMP - 2011) Na Inglaterra, por volta de 1640, a monarquia dos Stuart era incapaz de continuar governando de maneira tradicional. Entre as forças sociais que não podiam mais ser contidas no velho quadro político, estavam aqueles que queriam obter dinheiro, como também aqueles que queriam adorar a Deus seguindo apenas suas próprias consciências, o que os levou a desafiar as instituições de uma sociedade hierarquicamente estratificada.
(Adaptado de Christopher Hill, “Uma revolução burguesa?”. Revista Brasileira de História, São Paulo, vol. 4, nº 7, 1984, p. 10.)
a) Conforme o texto, que valores se contrapunham à forma de governo tradicional na Inglaterra do século XVII?
b) Quais foram as consequências da Revolução Inglesa para o quadro político do país?
Gabarito:
Resolução:
a) Segundo o texto, os valores que realizavam oposição à forma de governo tradicional da Inglaterra do século XVII seriam aqueles relativos ao contexto de ascensão da burguesia e do protestantismo: “aqueles que queriam obter dinheiro” caracteriza as práticas da burguesia mercantil e, “aqueles que queria adorar a Deus seguindo apenas suas próprias consciências”, ilustra o individualismo e a livre interpretação bíblica, traços típicos de religiões protestantes como o puritanismo. Estes valores eram inviabilizados pela monarquia dos Stuart, que era absolutista e anglicana.
b) A Revolução Inglesa causou uma profunda transformação no cenário político inglês: passa a vigorar uma monarquia parlamentar e constitucional, onde parlamentares eleitos (guiados pelos interesses burgueses) controlavam o poder legislativo e onde uma Constituição delimitava as atribuições do monarca e os direitos da população. Ou seja, poder absolutista do rei foi limitado enquanto o Parlamento passa a se encarregar de mais decisões, ao passo que a burguesia pôde consolidar seu poder graças a essas mudanças — que incluíam vetar a interferência do monarca na economia. O evento também marcou o início do predomínio protestante na Inglaterra, dado que a imposição de uma doutrina religiosa, por parte do monarca, passou a ser proibida.