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Questão 32

UNICAMP 2011
História

(UNICAMP - 2011 - 1 FASE ) Referindo-se à expansão marítima dos séculos XV e XVI, o poeta português Fernando Pessoa escreveu, em 1922, no poema “Padrão”:

“E ao imenso e possível oceano

Ensinam estas Quinas, que aqui vês,

Que o mar com fim será grego ou romano:

O mar sem fim é português.”

Fernando Pessoa, Mensagem – poemas esotéricos. Madri: ALLCA XX, 1997, p. 49.

Nestes versos identificamos uma comparação entre dois processos históricos. É válido afirmar que o poema compara

A

o sistema de colonização da Idade Moderna aos sistemas de colonização da Antiguidade Clássica: a navegação oceânica tornou possível aos portugueses o tráfico de escravos para suas colônias, enquanto gregos e romanos utilizavam servos presos à terra.   

B

o alcance da expansão marítima portuguesa da Idade Moderna aos processos de colonização da Antiguidade Clássica: enquanto o domínio grego e romano se limitava ao mar Mediterrâneo, o domínio português expandiu-se pelos oceanos Atlântico e Índico.   

C

a localização geográfica das possessões coloniais dos impérios antigos e modernos: as cidades-estado gregas e depois o Império Romano se limitaram a expandir seus domínios pela Europa, ao passo que Portugal fundou colônias na costa do norte da África.   

D

a duração dos impérios antigos e modernos: enquanto o domínio de gregos e romanos sobre os mares teve um fim com as guerras do Peloponeso e Púnicas, respectivamente, Portugal figurou como a maior potência marítima até a independência de suas colônias.   

Gabarito:

o alcance da expansão marítima portuguesa da Idade Moderna aos processos de colonização da Antiguidade Clássica: enquanto o domínio grego e romano se limitava ao mar Mediterrâneo, o domínio português expandiu-se pelos oceanos Atlântico e Índico.   



Resolução:

a) Incorreta. Não há, no texto, menção de elementos relativos à escravidão em si, a comparação entre o mar português e o mar dos gregos e romanos não gira em torno disso.

b) Correta. A partir dos versos de Fernando Pessoa percebe-se a referência ao Mediterrâneo, “mar com fim”, utilizado pelos gregos em suas diáspora e atividades mercantis e que, séculos depois ficou sobre controle dos romanos a ponto de ser tratado pelos mesmos como o mare nostrum. Ao mesmo tempo, refere-se ao “mar sem fim”, numa alusão ao Atlântico, desconhecido no primeiro século de expansão marítima e que ficou sobre controle português, garantindo ao Estado lusitano o caminho para as Índias, o controle do litoral africano e as terras litorâneas do Brasil. 

c) Incorreta. O texto paira, também, sobre o aspecto da localidade geográfica, mas os territórios abarcados por esses povos colonizadores não se limitam aos citados na alternativa.

d) Incorreta. Quando o texto fala que “o mar com fim será grego ou romano”, ele não está se referindo às guerras púnicas ou do Peloponeso: o limite do mar dos gregos e os romanos paira sobre o aspecto da expansão marítima e consequente colonização.

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