(UNICAMP - 2010 - 2 fase - Questão 8)
Leia o seguinte comentário a respeito de O Cortiço, de Aluísio Azevedo:
Com efeito, o que há n' O Cortiço são formas primitivas de amealhamento*, a partir de muito pouco ou quase nada, exigindo uma espécie de rigoroso ascetismo inicial e a aceitação de modalidades diretas e brutais de exploração, incluindo o furto (...) como forma de ganho e a transformação da mulher escrava em companheira-máquina. (...) Aluísio foi, salvo erro meu, o primeiro dos nossos romancistas a descrever minuciosamente o mecanismo de formação da riqueza individual. (...) N' O Cortiço [o dinheiro] se torna implicitamente objeto central da narrativa, cujo ritmo acaba se ajustando ao ritmo da sua acumulação, tomada pela primeira vez no Brasil como eixo da composição ficcional.
(Antonio Candido, De cortiço a cortiço. In: O discurso e a cidade. São Paulo: Duas Cidades, 1993, p. 129-3.)
*amealhar: acumular (riqueza), juntar (dinheiro) aos poucos
a) Explique a que se referem o rigoroso ascetismo inicial da personagem em questão e as modalidades diretas e brutais de exploração que ela emprega.
b) Identifique a “mulher escrava” e o modo como se dá sua transformação “em companheira-máquina”.
Gabarito:
Resolução:
a) O "rigoroso ascetismo inicial" se refere a João Romão que, por conta do seu desejo de enriquecer, se priva de todo conforto e enfrente o trabalho duro de forma resignada. As formas de exploração seriam a construção de casas do cortiço, a exploração dos trabalhadores e moradores da pedreira, o roubo em si e a exploração de Bertoleza.
b) Bertoleza é a "mulher escrava", que ajuda João Romão a enriquecer através dos lucros de sua própria quitanda. Quando João Romão dá a carta de alforria falsa a Bertoleza, mas ela se mostra um obstáculo para seu casamento com Zulmira e ele decide, então, denunciá-la como escrava foragida, o que a leva a cometer suicídio.