(UNESP - 2018 - 1 FASE)
Texto 1
Victor Frankl descrevia o fanático por dois traços essenciais: a absorção da própria individualidade na ideologia coletiva e o desprezo pela individualidade alheia. “Individualidade” é a combinação singular de fatores que faz de cada ser humano um exemplar único e insubstituível. O que o fanático nega aos demais seres humanos é o direito de definir-se nos seus próprios termos. Só valem os termos dele. Para ele, em suma, você não existe como indivíduo real e independente. Só existe como tipo: “amigo” ou “inimigo”. Uma vez definido como “inimigo”, você se torna, para todos os fins, idêntico e indiscernível de todos os demais “inimigos”, por mais estranhos e repelentes que você próprio os julgue.
(Olavo de Carvalho. O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, 2013. Adaptado.)
Texto 2
É necessário questionar a função de amparo identitário de todas as formas de organização de massas – partidos, igrejas, sindicatos – independente de seu objetivo político manifesto, de esquerda ou de direita. Não é descabido supor que qualquer organização de massas tenha o potencial de favorecer em seus membros a adesão à identidade de vítimas, sendo um sério obstáculo à luta pela autonomia e pela liberdade de seus membros.
(Maria Rita Kehl. Ressentimento, 2015. Adaptado.)
Os dois textos
apresentam argumentos favoráveis a ideias e comportamentos totalitários no campo da política.
defendem a importância de diferenças claras entre amigos e inimigos no campo da política.
sustentam que a união dos oprimidos em organizações de massa é mais importante que a individualidade.
utilizam os conceitos de fanatismo e de identidade coletiva para questionar o irracionalismo.
concordam que o pertencimento ideológico de direita é critério exclusivo para definir o fanatismo político.
Gabarito:
utilizam os conceitos de fanatismo e de identidade coletiva para questionar o irracionalismo.
Os textos propõem uma crítica ao comportamento. A postura política organizada em instituições de massa, direcionada à formação de identidades coletivas, pode se desdobrar em práticas fanáticas. Ambos apontam que o irracionalismo e o totalitarismo podem ser identificados e constituídos independentemente de posicionamentos ideológicos.
1: O primeiro texto afirma que, para o fanático, a identidade coletiva torna-se sua própria individualidade, e ele despreza a individualidade alheia. O fanático nega aos outros o direito de definir sua identidade em seus próprios termos e desconsidera a existência real e independente dos demais seres humanos: os outros só existem como tipo (amigo ou inimigo). O fanatismo é o traço de irracionalidade destacado no primeiro texto.
2: As organizações de massas (como igrejas, partidos e sindicatos) têm função na formação de identidades não somente coletivas, mas também individuais, pois são parte ativa da vida do indivíduo e delimitam um (ou alguns) dos grupos dos quais ele faz parte, com os quais convive e compartilha valores etc. Nesse sentido, tais organizações têm a função, também, de lutar pela autonomia e liberdade de seus membros.
A autora sustenta que a função de amparo identitário das organizações de massas deve ser sempre questionada, independente do objetivo político, uma vez que qualquer uma dessas organizações tem o potencial de promover em seus membros a identificação com o papel de vítima. Favorecer, nos membros do grupo, a adesão à identidade de vítimas é uma forma de ferir a autonomia e a liberdade desses membros.