(UNESP - 2018/2 - 2 fase - Questão 11)
Para Descartes, o corpo é uma máquina que pode ser completamente entendida em termos da organização e do funcionamento de suas peças. Uma pessoa saudável seria como um relógio bem construído e em perfeitas condições mecânicas; uma pessoa doente seria como um relógio cujas peças não estão funcionando apropriadamente. Mas em uma concepção holística de doença, a enfermidade física é apenas uma das numerosas manifestações de desequilíbrio do organismo. Além disso, a primeira diferença óbvia entre máquinas e organismos é o fato de que as máquinas são construídas, ao passo que os organismos crescem. Essa diferença fundamental significa que a compreensão de organismos deve ser orientada para os processos da estrutura orgânica. A questão, portanto, será: pode haver uma ciência que não se baseie exclusivamente na medição, uma compreensão da realidade que inclua qualidade e experiência, e que possa ainda ser chamada científica? A ciência, em minha opinião, não precisa ficar restrita a medições e análises quantitativas.
(Fritjof Capra. O ponto de mutação, 1997. Adaptado.)
a) Qual é o significado de saúde sob um ponto de vista mecanicista? Explique como o desequilíbrio orgânico é entendido sob um enfoque mecanicista.
b) Explique o significado de doença sob um ponto de vista holístico. Qual é a relação entre mecanicismo e análise quantitativa?
Gabarito:
Resolução:
a) A partir de uma perspectiva mecanicista, entende-se o estado de saúde como sendo o de pleno funcionamento das funções biológicas do corpo e a interação harmônica entre todas as estruturas do organismo. Assim, o estado de desequilíbrio orgânico seria resultado do funcionamento defeituoso das estruturas biológicas que compõem o organismo, devido a erros existentes em alguma das partes que o compõem, tal como ocorre em uma máquina.
b) A perspectiva holística busca a compreensão da doença como sendo o resultado de diferentes processos biológicos que estão relacionados a diversos aspectos da vida humana, tanto os naturais, quanto os culturais e psicológicos. Em relação à análise quantitativa, observa-se seu uso na concepção mecanicista, a partir da análise de dados estatísticos, medições numéricas, cálculos de probabilidade e incidência de casos, limitando-se à uma análise quantitativa em detrimento da qualitativa.