(UNESP - 2015 - 2 FASE)
Texto 1
Karl Popper se diferenciou ao introduzir na ciência a ideia de “falibilismo”. Ele disse o seguinte: “O que prova que uma teoria é científica é o fato de ela ser falível e aceitar ser refutada”. Para ele, nenhuma teoria científica pode ser provada para sempre ou resistir para sempre à falseabilidade. Ele desenvolveu um tipo de teoria de seleção das teorias científicas, digamos, análoga à teoria darwiniana da seleção: existem teorias que subsistem, mas, posteriormente, são substituídas por outras que resistem melhor à falseabilidade.
(Edgar Morin. Ciência com consciência, 1996. Adaptado.)
Texto 2
O paralelismo entre macrocosmos e microcosmos, a simpatia cósmica e a concepção do universo como um ser vivo são os princípios fundamentais do pensamento hermético, relançado por Marcílio Ficino com a tradução do Corpus Hermeticum. Com base no pensamento hermético, não há qualquer dúvida sobre a influência dos acontecimentos celestes sobre os eventos humanos e terrestres. Desse modo, a magia é a ciência da intervenção sobre as coisas, os homens e os acontecimentos, a fim de dominar, dirigir e transformar a realidade segundo a nossa vontade.
(Giovanni Reale. História da filosofia, vol. 2, 1990.)
Baseando-se no conceito filosófico de empirismo, descreva o significado do emprego da palavra “ciência” nos dois textos. Explique também o diferente emprego do termo “ciência” em cada um dos textos.
Gabarito:
Resolução:
O primeiro conceito de ciência, em Karl Popper, é proposto a partir da relação entre conhecimento e realidade, em um sentido de que não há teorias científicas absolutas sem a possibilidade de serem anuladas. O filósofo compreende que toda teoria científica é passível de falseabilidade, isto é, que pode ser substituída por uma posterior, mais resistíveis à falseabilidade, cuja forma de compreensão se aproxima mais da realidade do que anterior, mas ainda sim falível.
No segundo texto, a perspectiva hermética de Marcílio Ficino compreende a ciência como um conhecimento integrado no qual não é possível estabelecer exatamente o seu sentido separado do todo. A proposição dessa visão é uma síntese do universo que tem influências de uma realidade transcendente, o que vincula essa perspectiva ao pensamento de Platão, com destaque ao neoplatônico Plotino, cuja compreensão expressa a ideia de que a realidade não pode ser atingida plenamente, mas apenas contemplada. Logo, o conhecimento científico seria um entendimento divinizado da natureza, a partir de uma noção do poder do homem sobre a natureza.