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Questão 58

UNESP 2015
Filosofia

(UNESP - 2015/2 - 1ª FASE) A fonte do conceito de autonomia da arte é o pensamento estético de Kant. Praticamente tudo o que fazemos na vida é o oposto da apreciação estética, pois praticamente tudo o que fazemos serve para alguma coisa, ainda que apenas para satisfazer um desejo. Enquanto objeto de apreciação estética, uma coisa não obedece a essa razão instrumental: enquanto tal, ela não serve para nada, ela vale por si. As hierarquias que entram em jogo nas coisas que obedecem à razão instrumental, isto é, nas coisas de que nos servimos, não entram em jogo nas obras de arte tomadas enquanto tais. Sendo assim, a luta contra a autonomia da arte tem por fim submeter também a arte à razão instrumental, isto é, tem por fim recusar também à arte a dimensão em virtude da qual, sem servir para nada, ela vale por si. Trata-se, em suma, da luta pelo empobrecimento do mundo.

(Antônio Cícero. “A autonomia da arte”. Folha de São Paulo, 13.12.2008. Adaptado.)


De acordo com a análise do autor,

A

a racionalidade instrumental, sob o ponto de vista da filosofia de Kant, fornece os fundamentos para a apreciação estética.

B

um mundo empobrecido seria aquele em que ocorre o esvaziamento do campo estético de suas qualidades intrínsecas.

C

a transformação da arte em espetáculo da indústria cultural é um critério adequado para a avaliação de sua condição autônoma.

D

o critério mais adequado para a apreciação estética consiste em sua validação pelo gosto médio do público consumidor.

E

a autonomia dos diversos tipos de obra de arte está prioritariamente subordinada à sua valorização como produto no mercado.

Gabarito:

um mundo empobrecido seria aquele em que ocorre o esvaziamento do campo estético de suas qualidades intrínsecas.



Resolução:

b) Correta. um mundo empobrecido seria aquele em que ocorre o esvaziamento do campo estético de suas qualidades intrínsecas.
O campo estético, no entender de Kant e do texto do poeta Antônio Cícero, não pode submeter-se ao processo de interesses de mercado ou quaisquer outros, a fim de que seja preservada a arte; caso contrário, ocorreria um empobrecimento do mundo, em vistas da utilidade da arte.

 

a) Incorreta.  a racionalidade instrumental, sob o ponto de vista da filosofia de Kant, fornece os fundamentos para a apreciação estética.
Justamente ao contrário, o trecho contém uma crítica à razão instrumental, a qual se fundamenta na utilidade desta aos interesse particulares, o que elimina o valor intríseco da arte, como é explorado no excerto.

c) Incorreta. a transformação da arte em espetáculo da indústria cultural é um critério adequado para a avaliação de sua condição autônoma.
Não se encontra referências ao tema da indústria cultural no trecho, algo que é posterior ao pensamento de Kant, porém, tendo em mente a crítica da indústria cultural no contexto da arte massificada, decerto que esta arte não pode tornar-se, segundo o trecho, critério de avaliação para sua condição autônoma. A arte não é julgada pelo condicionamento aos espetáculos.

d) Incorreta. o critério mais adequado para a apreciação estética consiste em sua validação pelo gosto médio do público consumidor.
Esse critério revela um aspecto tanto massificado quanto instrumentalizante, o que se opõe as ideias kantianas sobre uma estética autonôma. A apreciação estética não caminha na direção da utilidade.

e) Incorreta. a autonomia dos diversos tipos de obra de arte está prioritariamente subordinada à sua valorização como produto no mercado.
Ao contrário, essa visão revela-se como um aspecto instrumentalizante da arte, que não expressa o sentido do excerto — o qual demonstra que a arte possui um valor intríseco. A apreciação estética não caminha na direção da utilidade.

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