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Questão 60

UNESP 2013
Sociologia

(UNESP - 2013/2 - 1a fase)

Hoje, a melhor ciência informa que as etnias são variações cosméticas do núcleo genético humano, incapazes sozinhas de determinar a superioridade de um indivíduo ou grupo sobre outros. Segundo o médico Sérgio Pena, não somos todos iguais, somos igualmente diferentes. É uma beleza, do ponto de vista da antropologia genética, esperar que, um dia, ela ajude a desvendar o enigma clássico da condição humana que é a eterna desconfiança do outro, do diferente, do estrangeiro. O DNA nada sabe desse sentimento. No seu coração genético, a espécie humana é tão mais forte e sadia quanto mais variações apresenta.

(Fábio Altman. Unidos pelo futebol … e pelo DNA. Veja, 09.06.2010. Adaptado.)

Esta reportagem aborda o tema das diferenças entre as etnias humanas sob um ponto de vista contrastante em relação a outras abordagens vigentes ao longo da história. Em termos éticos, trata-se de uma abordagem promissora, pois

A

opõe-se às teorias antropológicas que criticaram o etnocentrismo ocidental em seu papel de justificação ideológica do colonialismo.   

B

apresenta argumentos científicos que provam o caráter prejudicial da miscigenação para o progresso da humanidade.

C

fornece uma fundamentação científica para justificar estereótipos racistas presentes no pensamento cotidiano e no senso comum.  

D

permite um questionamento radical dos ideais universalistas inspiradores de políticas de preservação dos direitos humanos.

E

estabelece uma ruptura com teorias eugenistas que defenderam a purificação racial como meio de aperfeiçoamento da humanidade.  

Gabarito:

estabelece uma ruptura com teorias eugenistas que defenderam a purificação racial como meio de aperfeiçoamento da humanidade.  



Resolução:

a) Incorreta. Pelo contrário, essa nova abordagem fundamenta uma crítica ao etnocentrismo, pois afirma que, apesar da diversidade, as etnias se distribuem horizontalmente, sem hierarquia. A justificativa ideológica do colonialismo é desqualificada pelo excerto, pois ela se fundamenta na suposta inferioridade inerente aos colonizados — que justifica as intervenções dos colonizadores, “bem intencionados”. As etnias são “incapazes sozinhas de determinar a superioridade de um indivíduo ou grupo sobre outros”. Dessa forma, como o etnocentrismo do Ocidente se trata da crença de uma superioridade ocidental, o texto não está de forma alguma realizando oposição às teorias que criticam isso, na verdade, está corroborando-as.

b) Incorreta. Na realidade, o trecho argumenta o oposto: “a espécie humana é tão mais forte e sadia quanto mais variações apresenta.” As diferenças apontadas pelo texto não são vistas de forma hierarquizada: “não somos todos iguais, somos igualmente diferentes”. Assim, a genética não apresenta evidências de superior ou inferioridade étnica, logo, não há evidências de um “prejuízo” étnico no “progresso da humanidade”. Além disso, não há menções sobre miscigenação ou sobre uma suposta linha progressiva guiando a história humana.

c) Incorreta. O excerto, na verdade, argumenta que “O DNA nada sabe desse sentimento”, ou seja, nossa genética não tem ligação com “a eterna desconfiança do outro, do diferente, do estrangeiro”. Dessa forma, o texto em momento algum apresenta uma justificativa científica para o racismo. Inclusive, até menciona que “a melhor ciência” explica que, segundo a genética, não existe nenhuma hierarquia étnica.

d) Incorreta. Em nenhum momento o texto apresenta um argumento que questione a legitimidade das políticas de preservação dos direitos humanos, sequer faz uma alusão indireta ao tema. O texto afirma que somos todos iguais em nossas variações, não estamos em uma hierarquia: “não somos iguais, somos igualmente diferentes”. No limite, podemos interpretar essa perspectiva como uma corroboração aos “ideais universalistas” dessas políticas, pois se posiciona num viés igualitário.

e) Correta. Ao longo de todo o trecho podemos ver oposição total a ideais eugenistas: “[as variações genéticas das etnias são] incapazes sozinhas de determinar a superioridade de um indivíduo ou grupo sobre outros”; “somos igualmente diferentes”; “No seu coração genético, a espécie humana é tão mais forte e sadia quanto mais variações apresenta”. A eugenia diz respeito à crença de que a miscigenação e a proliferação de certas etnias prejudicam a “qualidade racial” de uma sociedade, portanto o texto rompe com isso porque desbanca as justificativas falaciosas (supostamente genéticas) usadas para legitimar o racismo.

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