(UNESP - 2013/2 - 2 FASE)
Texto 1
Se o homem no estado de natureza é tão livre, conforme dissemos, se é senhor absoluto da sua própria pessoa e posses, […] por que abrirá ele mão dessa liberdade, por que […] sujeitar-se-á ao domínio e controle de qualquer outro poder? Ao que é óbvio responder que, embora no estado de natureza tenha tal direito, a fruição […] da propriedade que possui nesse estado é muito insegura, muito arriscada. […] não é sem razão que procura de boa vontade juntar-se em sociedade com outros […], para a mútua conservação da vida, da liberdade e dos bens a que chamo de “propriedade”.
(John Locke. O segundo tratado sobre o governo.)
Texto 2
Horrorizai-vos porque queremos abolir a propriedade privada. Mas, em nossa sociedade, a propriedade privada já foi abolida para nove décimos da população; se ela existe para alguns poucos é precisamente porque não existe para esses nove décimos. Acusai-nos, portanto, de querer abolir uma forma de propriedade cuja condição de existência é a abolição de qualquer propriedade para a imensa maioria da sociedade. Em suma, acusai-nos de abolir a vossa propriedade. Pois bem, é exatamente isso o que temos em mente.
(Karl Marx e Friedrich Engels. O manifesto comunista.)
Os textos citados indicam visões opostas e conflitantes sobre a organização da vida política e social. Responda quais foram os sistemas políticos originados pelos dois textos e discorra brevemente sobre suas divergências.
Gabarito:
Resolução:
John Locke fundamentou o liberalismo político em oposição ao antigo regime, e cooperou para um dos pontos do Iluminismo. O filósofo apontava para um contrato que deveria garantir ao indivíduo direitos que lhe eram naturais, anterior à sociedade, como a vida, a liberdade e a propriedade privada, e, caso o estado não lhes garantisse isso, era cabível a deposição do chefe do estado. Central para ele é também o conceito de trabalho, por meio do qual o homem altera a natureza e exercesse domínio sobre ela.
Karl Marx e Friedrich Engels fundamentou o socialismo científico e comunismo, a partir de uma doutrina que fora denominada como marxismo. Para Marx, a concentração da propriedade privada na mão de poucos e a forte desigualdade social eram frutos desse sistema capitalista, fundamentado no liberalismo político, por isso, por meio da luta de classes, ele queria abolir a propriedade privada, noção central para o liberalismo. Assim, a propriedade, num estágio inicial no socialismo, sendo concentrada no estado, posteriormente, com o fim do estado, no comunismo, a propriedade tornar-se-ia coletiva.